Canaã dos Carajás (PA) – O drama da educação pública estadual em Canaã dos Carajás parece não ter fim. Depois da humilhante cena registrada no início do ano letivo de 2026 — quando pais foram obrigados a pernoitar na porta da Escola Estadual Irmã Laura para tentar garantir uma vaga no ensino médio para seus filhos — um novo problema revolta estudantes e famílias.
Agora, alunos que concluíram o ensino médio em 2025 enfrentam uma verdadeira via-crúcis para conseguir o certificado de conclusão do curso, documento essencial para matrícula em universidades e para comprovação de escolaridade em processos de contratação no mercado de trabalho.
Segundo relatos de estudantes, a secretaria da escola funciona de forma extremamente limitada. Apenas uma servidora é responsável pela emissão dos certificados, o que tem provocado atrasos absurdos na entrega dos documentos. Além disso, o atendimento ocorre somente três dias por semana e em dias alternados, tornando o processo ainda mais lento.
Um dos ex-alunos relatou à reportagem que já está há mais de 30 dias indo diariamente à escola em busca do documento.
“Estou prestes a perder minha vaga de emprego porque não consigo receber meu certificado de conclusão do ensino médio. A empresa precisa do documento para comprovar minha escolaridade e até agora nada. Isso é um absurdo”, desabafou o jovem.
Riscos estruturais
A indignação aumenta quando os estudantes lembram que muitos concluíram o ensino médio mesmo enfrentando a falta de professores em diversas disciplinas ao longo do ano letivo.
A situação expõe, mais uma vez, a fragilidade e o abandono do ensino médio estadual em Canaã dos Carajás, um município que está entre os maiores arrecadadores do Pará, graças à mineração e à intensa atividade econômica.
Outro ponto que chama atenção é que a Escola Irmã Laura só não se transformou em palco de uma tragédia anunciada porque a Prefeitura de Canaã dos Carajás realizou a reconstrução completa da estrutura do prédio, que estava praticamente em ruínas.
Pais de alunos afirmam que, antes da obra, a escola apresentava sérios riscos estruturais, com partes do prédio deterioradas e em condições precárias.
“Se a prefeitura não tivesse reconstruído a escola, provavelmente hoje estaríamos falando de uma tragédia”, comentou um morador da cidade.
Procurada pela reportagem, a direção da escola informou que não possui autorização para conceder entrevistas e orientou que qualquer esclarecimento fosse solicitado à assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), em Belém.
Enquanto isso, estudantes continuam aguardando documentos que deveriam ser entregues automaticamente ao final do ano letivo.
O episódio escancara a falência da gestão do ensino médio estadual em Canaã dos Carajás e levanta questionamentos inevitáveis:
Como um dos municípios que mais contribuem com a arrecadação do Estado pode receber de volta um serviço público tão precário?
Até quando o governo do Estado do Pará, comandado por Helder Barbalho, continuará ignorando os graves problemas da educação estadual no município?
Para estudantes e famílias, a resposta já está sendo sentida na prática: abandono, burocracia e descaso.



