Brasileiros estão prontos para trabalhar menos, diz estudo

O Brasil está pronto para trabalhar menos e a adoção da escala semanal de trabalho para 5×2 dias deve gerar 4,5 milhões de empregos, além de aumentar a produtividade em 4%. Essas são as principais conclusões do “Dossiê 6×1”, estudo do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp).

O levantamento é formado por um conjunto de 37 artigos de 67 autores especialistas convidados pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit). O “Dossiê 6×1” toma como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Brasileiro trabalha muito

Pelos números da Pnad Contínua, 21 milhões de trabalhadores do país cumprem jornada superior a 44 horas semanais. O IBGE informa que 76,3% das pessoas ocupadas no Brasil têm jornadas de trabalho superiores a 40 horas semanais, e que 58,7% de todos os empregados trabalham entre 40 e 44 horas semanais.

Cerca de 4,5 milhões de brasileiros sobrevivem na subocupação. De acordo com Marilane Teixeira, pesquisadora do Cesit, “elas gostariam de trabalhar mais, mas não encontram vaga de emprego”.

Marilane alerta que o Brasil tem uma taxa de trabalho informal muito elevada, em que a carga horária de trabalho ultrapassa as 44 horas previstas na lei. A pesquisadora ressalta que a reforma trabalhista trouxe uma avalanche de horas extras, que podem ser compensadas em bancos de horas e sem remuneração do trabalhador.

“O argumento de que o Brasil já trabalha pouco, definitivamente, não serve”, afirma a economista, contrariando afirmações patronais.

 

Pesquisa confirma

A redução da escala de trabalho para cinco dias trabalhados para dois de descanso – com 40 horas por semana – deve afetar a vida de cerca de 45 milhões de trabalhadores brasileiros, calcula Marilane Teixeira.

Em 2024, cerca de 500 mil trabalhadores foram afastados por doenças psicossociais em decorrência das condições desfavoráveis do ambiente de trabalho. “O fim da escala 6×1 é um grito, um pedido de socorro. Esses trabalhadores querem viver além do trabalho e querem direito ao lazer”, advertiu a pesquisadora da Unicamp.

Teixeira lembra que a produtividade do trabalho cresceu a uma taxa média anual de 6,5% entre 1990 e 2000. Isso ocorreu em função de investimentos em tecnologia, formação do trabalhador e reorganização das empresas.

A pesquisadora conclui que a classe dominante ganhou muito nas últimas décadas e não quer ceder nada. “O que temos de fazer agora é reverter esses ganhos justamente em benefício do trabalhador”, recomenda.

Uma pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, sem a redução de salário. A enquete foi realizada nas 27 unidades da Federação. Foram ouvidas 2.021 pessoas acima de 16 anos de idade.

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do “Dossiê 6×1” – Cesit (Unicamp), Jornal da Unicamp e Agência Brasil.

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