Delegados do setor algodoeiro embarcaram para a Ásia para se envolver nas negociações com o objetivo de expandir o comércio do produto com a Índia, um dos grandes centros da indústria têxtil mundial. A comitiva, chefiada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), participa das atividades presidenciais na região e busca fortalecer o Acordo de Comércio Preferencial para aumentar sua competitividade no mercado indiano.
A indústria do algodão está empenhada em diminuir as taxas de exportação do produto brasileiro e em estabelecer cotas com isenção tarifária, ações que podem aumentar a competitividade do algodão nacional no mercado da Índia.
A delegação, formada por Cotton Brazil, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e a ApexBrasil, realizará encontros com representantes do Ministério dos Têxteis da Índia para discutir uma pesquisa sobre as previsões de produção e comércio entre as nações.
Fernando Rati, diretor do Cotton Brazil, enfatizou a atuação da entidade na avaliação do mercado e da indústria têxtil mundial. “O setor aguarda que o algodão seja incluído entre os produtos que podem ter preferência tarifária, o que aumentaria a competitividade em relação a outras origens“, afirmou à Reuters.
O Ministério do Algodão é a organização central da Índia responsável por negociações e formulando políticas para o setor têxtil, contemplando o algodão de diferentes setores. Atualmente, os Estados Unidos e a Austrália se destacam como os maiores compradores da indústria têxtil indiana.
O administrador ressalta que as discussões estão em um estágio inicial, porém enfatiza os pontos fortes do Brasil que podem facilitar a conclusão do tratado comercial. “O relatório que enviamos às autoridades evidencia a competitividade do setor agropecuário brasileiro, com preços mais baixos do que o mercado oferece e uma qualidade de fibra altamente requisitada pelos indianos”, declarou Rati.
Os representantes da indústria estão ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, nas negociações para expandir o Acordo de Comércio Preferencial (ACP) entre o Mercosul e a Índia.
De acordo com Marcelo Duarte, que ocupa o cargo de diretor de Relações Internacionais na Abrapa, o aumento da presença do Brasil na Índia demonstra um fortalecimento da confiança com o setor industrial do país. “Existem oportunidades para intensificar ainda mais essa colaboração nos anos que virão”, destacou.
Expansão das relações comerciais com a Índia.
Além de se posicionar como o segundo maior cultivador de algodão globalmente, a Índia também conta com o segundo maior setor industrial do setor têxtil. Esta é a terceira ocasião em que a equipe do Cotton Brazil organiza uma programação planejada neste país.
O setor tem aumentado suas missões comerciais e técnicas à Índia, em uma ação que se alinha à reestruturação das cadeias globais e à estratégia do Brasil de ampliar sua presença no mercado asiático. Os efeitos dessa iniciativa já são visíveis nos dados do comércio internacional.
Depois da conclusão do primeiro Cotton Brazil Outlook, uma série de eventos destinados a divulgar o algodão brasileiro realizados em 2024 nas principais áreas industriais da Índia, as vendas brasileiras de algodão para esse mercado cresceram de 8 mil para 160 mil toneladas, aumentando a proporção do Brasil nas exportações de 4% para 24%.
Nesse mesmo intervalo, os Estados Unidos, a Austrália e nações africanas viram sua participação no mercado indiano diminuir. No ano comercial de 2025/26, o Brasil já enviou 185 mil toneladas para a Índia.
Na visão do vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella, a colaboração entre Brasil e Índia supera os aspectos meramente comerciais. “A produção de algodão no Brasil combina alta produtividade com exigências socioambientais, que são essenciais para a competitividade do setor industrial na Ásia. Ao fornecer uma fibra que pode ser rastreada e é sustentável, o Brasil proporciona algo além de um simples produto”, finalizou. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações da Reuters



