Brasil avalia contato direto com vice de Trump para contornar impasse diplomático

Opinião em Pauta – Diante do bloqueio das rotas institucionais tradicionais com Washington, integrantes do governo brasileiro já admitem nos bastidores que a Casa Branca deixou de operar sob os padrões diplomáticos usuais.

A constatação, feita por fontes graduadas próximas ao Palácio do Planalto, é que a estrutura formal da administração americana está sendo contornada ou até ignorada pelo próprio presidente Donald Trump, que retornou ao poder em meio a uma inédita desorganização institucional.

“Trump é a instituição”, resume um interlocutor de alto escalão. A frase, que sintetiza a perplexidade com o atual estágio da política externa americana, ajuda a explicar por que a carta enviada há dois meses pelo presidente Lula, por meio dos canais diplomáticos regulares, ainda não obteve resposta e talvez nem tenha chegado efetivamente às mãos do presidente republicano.

Neste cenário, a equipe do vice-presidente Geraldo Alckmin avalia se é útil ou não manter diálogos com escalões da burocracia americana, inclusive com setores do Departamento de Estado.

A prioridade, agora, seria outra: promover uma interlocução pessoal entre Alckmin e o vice-presidente americano, J.D. Vance considerado próximo, influente e com trânsito direto junto a Trump.

A proposta seria usar essa ponte para restabelecer o diálogo político em alto nível, baixar a temperatura entre os dois países, destacar a relevância estratégica do comércio bilateral e, acima de tudo, reiterar a posição brasileira de que pressões externas sejam elas comerciais ou institucionais não terão qualquer efeito sobre a soberania nacional.

Setores do Itamaraty veem com ceticismo a eficácia de qualquer tentativa de “reconstrução de pontes” pelos canais clássicos. A aposta, por ora, se concentra no pragmatismo: aproximar Alckmin de Vance, viabilizar um encontro com discurso moderado e se o ambiente for propício criar as condições para um diálogo direto entre Lula e Trump.

O Grupo de Trabalho coordenado por Alckmin, que trata das possíveis contramedidas comerciais às medidas americanas, também passaria a funcionar como instância de articulação com o setor empresarial, buscando coesão interna antes de uma ofensiva política externa mais firme.

Ao estilo Trump, nada garante que a diplomacia será feita de embaixada para embaixada. A mensagem do Planalto agora é clara: ou se fala com quem manda ou não se fala. (Foto: Reprodução)

 

Reportagem: Opinião em Pauta 

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