‘Arquiteto das guerras’ dos EUA, morre senador Graham

O senador republicano Lindsey Graham, oriundo da Carolina do Sul, faleceu na noite de sábado (11), aos 71 anos, em decorrência de uma “condição súbita e breve”, conforme informaram os representantes de seu escritório.

Ele estava em seu quinto mandato e tinha acabado de voltar de Kiev, onde teve um encontro com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

O falecimento provocou uma série de tributos por parte de figuras como Donald Trump, Benjamin Netanyahu e o próprio Zelensky. Mas quem foi o senador, reconhecido como um dos mais notórios “abutres da guerra de Washington?

Escolhido para o Senado em 2002, Graham firmou sua posição como um dos “falcões” mais proeminentes de Washington na área de relações internacionais — um título que ele sempre aceitou. Juntamente com seu importante mentor, o senador John McCain, e o ex-senador Joe Lieberman, ele integrou o grupo conhecido como os “Três Amigos”, que percorria o globo promovendo a defesa de intervenções militares dos Estados Unidos.

Sua lista de posições intervencionistas é bastante longa: defendeu a invasão do Iraque em 2003 e se destacou como um dos principais defensores da guerra no Senado, inclusive realizando estágios como reservista da Força Aérea em áreas de conflito para fortalecer seus argumentos em público. Ele propôs o aumento do número de soldados no Iraque em 2007 e, anos depois, alertou que uma retirada rápida levaria o país a uma desgraça. Adotou uma visão semelhante em relação ao Afeganistão, manifestando-se contra a retirada total das tropas americanas e afirmando que essa saída poderia abrir caminho para outra tragédia como o 11 de Setembro.

No que diz respeito ao Irã, foi consistentemente a voz mais contundente no Senado: solicitou ações militares preventivas em 2010, se opôs ao pacto nuclear de 2015 e, no começo de 2026, manifestou apoio explícito à campanha de bombardeios conduzida pelos EUA e Israel contra o país, fazendo analogias entre o governo iraniano e o regime nazista da Alemanha. Além disso, em 2018, afirmou apoio a uma intervenção militar contra a Coreia do Norte.

Senhor da indústria bélica

Graham se destacou como um dos legisladores mais aliados de Israel em Washington. Ele foi um dos mais ardorosos apoiadores de Israel no Congresso, promovendo bilhões em assistência à segurança e realizando várias visitas à região após 7 de outubro, o que lhe garantiu de Netanyahu a distinção de ser chamado de “melhor amigo” da nação na capital americana.

Durante o conflito na Ucrânia, ele se tornou uma das figuras mais conhecidas do apoio militar dos Estados Unidos a Kiev, promovendo sanções rigorosas contra a Rússia, a apropriação de bens russos e até mesmo operações em solo russo.

Além de sua atuação na política internacional, Graham esteve envolvido em diversas controvérsias. Em 2019, impediu a aprovação do reconhecimento do genocídio armênio no Senado, uma escolha que recebeu fortes críticas de organizações de defesa dos direitos humanos. Sua relação com Trump também passou por mudanças significativas: em 2016, o descreveu como “raivoso racial” e “inapto para o cargo”, mas a partir de 2017, passou a ser um de seus principais assessores e aliados.

A muitos de seus apoiadores, Graham representou um patriota que dedicou sua vida à defesa do país e ao fortalecimento de parcerias, como a Otan. Trump o chamou de “um dos maiores senadores que já conheci”, enquanto o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o elogiou como um firme defensor” da segurança mundial. Por outro lado, seus opositores o veem como um ícone do complexo industrial-militar dos Estados Unidos, cujas crenças favoráveis a intervenções contribuíram para que o país se envolvesse em conflitos quase contínuos ao longo de mais de vinte anos, abrangendo regiões como Iraque, Irã, Ucrânia e Gaza.  (Foto: Julianna Luz/Casa Branca)

Por Opinião em Pauta com informações da BBC News

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