Aquecimento global força nova definição do El Niño

A elevação das temperaturas globais levou a comunidade acadêmica, sob a liderança da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), a revisar os parâmetros que definem o fenômeno El Niño, com efeito a partir de 1º de fevereiro de 2026.

A elevação rápida das temperaturas dos oceanos tornou obsoleta a abordagem tradicional de comparação (que consiste em analisar as temperaturas atuais em relação às médias históricas fixas), sendo necessária a criação de um novo índice que diferencie o aquecimento de base do aquecimento habitual associado a fenômenos.

A nova abordagem analisa a temperatura da superfície do oceano no Pacífico Tropical em relação à temperatura média de todas as áreas tropicais, em vez de se limitar a uma comparação com a média histórica de três décadas.

Devido ao aquecimento global, a temperatura dos oceanos aumentou. Como resultado, o que antes poderia ser classificado como condições “normais” agora é visto como El Niño. O novo indicador possibilita a detecção do El Niño somente quando a região do Pacífico Equatorial apresenta temperaturas muito superiores às das áreas tropicais adjacentes.

A previsão é que, ao adotar o novo critério, ocorra uma diminuição nos casos de El Niño e um aumento nos casos de La Niña (ou de condições neutras) ao longo do tempo.

A nova abordagem representa de maneira mais precisa a interação entre as águas do Pacífico e a atmosfera, uma vez que uma variação de 0,5°C na medição pode ser determinante para antecipar secas ou enchentes extremas.

Mesmo com as alterações, o fenômeno El Niño permanece como um dos principais fatores que provocam eventos climáticos extremos, como a ocorrência de secas na região Norte/Nordeste do Brasil e chuvas intensas no Sul, exercendo um impacto significativo no setor agropecuário. (Foto: Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações do Estadão Conteúdo

Relacionados

plugins premium WordPress