Anistiado: Estado reconhece mais um perseguido político, Acilino Ribeiro

A anistia concedida agora a Acilino Ribeiro, advogado, não reescreve o passado , mas o ilumina. Décadas depois dos anos mais duros da ditadura militar, o Estado brasileiro reconhece oficialmente a condição de perseguido político de um militante que esteve longe dos holofotes, mas no centro do radar da repressão. O gesto não é apenas administrativo. É político, histórico e simbólico: revela tanto o que os arquivos da ditadura registraram com precisão quanto aquilo que deliberadamente esconderam.

 

O ano era 1971. O Brasil vivia o auge do regime militar sob o general Emílio Garrastazu Médici, período marcado pelo fechamento completo do sistema político, censura generalizada, prisões ilegais, tortura institucionalizada e eliminação sistemática de opositores. Era também o momento de um realinhamento internacional pragmático, em que o governo brasileiro buscava autonomia estratégica sem abrir mão da repressão interna. Nesse cenário, cabia ao Serviço Nacional de Informações (SNI) mapear, vigiar e classificar como “subversiva” qualquer forma de dissidência política.

 

É nesse contexto que surge Acilino Ribeiro nos registros oficiais. Dirigente nacional do Movimento Popular Socialista, núcleo mais à esquerda do PSB, ele aparece nos arquivos não como cidadão, mas como ameaça. Um nome entre tantos. Um número em relatórios que alimentavam decisões tomadas longe da lei e da democracia como a prisão dele em Alexania de Goiás, interrompida por sua mãe que, armada, invadiu a prisão e libertou o filho.

 

Na lista do MR-8, Carlos Lamarca figura como o primeiro nome , conhecido, controverso, amplamente documentado. Mas o quarto nome, Acilino Ribeiro, Isso diz mais sobre a lógica da repressão do que sobre a fama da resistência. Representa os muitos militantes que agiram na clandestinidade, pagaram o preço do silêncio e sobreviveram sem que a história lhes desse voz.

 

A anistia de hoje não celebra trajetórias nem absolve escolhas. Ela cumpre outra função: reconhecer que o Estado errou. E que a democracia brasileira também foi construída por aqueles que não viraram símbolo, não deram entrevista e não entraram nos livros mas resistiram.

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