A inflação em abril apresentou um aumento de 0,67%. Esse número indica uma diminuição se comparado ao índice de março, que foi de 0,88%. No entanto, no acumulado dos primeiros quatro meses do ano, a alta totaliza 2,60%, enquanto nos últimos 12 meses, chega a 4,39%.
As informações foram apresentadas nesta terça-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“De maneira geral, certos alimentos enfrentam uma limitação na sua disponibilidade, resultando em um aumento nos preços. No que diz respeito ao leite, a chegada do clima seco, característico da estação, provoca uma diminuição na pastagem, exigindo a adição de ração para os animais, o que eleva as despesas. Além disso, é importante ressaltar o aumento dos preços dos combustíveis, que impacta o custo final dos alimentos devido ao aumento das tarifas de transporte”, comentou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.
A meta permanente para a inflação é de 3,0%, com uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
No final de abril, o Banco Central optou por reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,50% ao ano. A instituição destacou a necessidade de considerar novos dados para a formulação futura da política monetária, citando a possibilidade de modificar tanto o ritmo quanto a duração do processo de “ajuste” da taxa, além de enfatizar a diferença entre a inflação atual e a meta estabelecida.
A prudência do Banco Central reflete as dúvidas acerca do conflito no Oriente Médio e suas consequências para a inflação.
As informações sustentam a ideia de que uma rápida intensificação nos cortes de juros pelo Banco Central é bastante improvável. A solidez do setor de serviços restringe a possibilidade de uma abordagem mais acomodatícia. Essa situação fortalece a argumentação sobre a existência de um ciclo econômico breve, analisou Natalie Victal, economista-chefe da SulAmerica Investimentos.
IPCA influenciado pela gasolina
Em abril, os principais fatores de aumento foram os setores de alimentos e bebidas, que registraram uma elevação de 1,34%, após uma alta de 1,56% em março, e o setor de saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,16%, comparado a 0,42% no mês anterior. Esses dois grupos somados representaram 67% do IPCA.
Os custos com alimentos em casa apresentaram um aumento de 1,64%, destacando-se a elevação nos preços da cenoura (26,63%), do leite de longa duração (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%).
“Além da questão do transporte, não observamos mudanças significativas na guerra que afetam os preços que os consumidores pagam“, analisou Gonçalves.
Na área da saúde, os medicamentos tiveram um aumento de 1,77%, após a liberação de um reajuste de até 3,81% nos preços dos fármacos, que entrará em vigor em 1° de abril.
O componente que mais influenciou o IPCA foi a gasolina, cuja valorização desacelerou para 1,86%, caindo de 4,59% em março. Isso ocorreu apesar do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã, que continua a afetar a passagem de embarcações com petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Os preços dos combustíveis aumentaram 1,80% ao longo do mês, com o óleo diesel registrando um acréscimo de 4,46% e o etanol, de 0,62%. O setor de Transportes teve uma elevação modesta de apenas 0,06% em abril, comparado ao crescimento de 1,64% em março, ainda influenciado pela redução de 14,45% nas tarifas de passagens aéreas.
De acordo com Gonçalves, os efeitos do aumento no preço do querosene de aviação devido ao conflito deverão se manifestar mais adiante, visto que o IBGE reuniu as informações sobre os custos das passagens aéreas com dois meses de antecedência.
Em abril, a inflação no setor de serviços registrou uma queda para 0,04%, em comparação a 0,53% em março, totalizando 5,75% nos últimos doze meses. No entanto, segundo André Valério, economista sênior do Inter, ao desconsiderar as tarifas de passagens aéreas, a desaceleração foi bem menos significativa, passando de 0,41% para 0,37%.
“O desempenho do mês reforça a importância de ser prudente no Copom. Embora tenha havido uma diminuição no ritmo, ainda identificamos elementos que demandam atenção na gestão da política monetária”, afirmou.
Em abril, o índice de difusão, que indica a dispersão das alterações nos preços, registrou uma redução de 2 pontos percentuais, atingindo 65%.
A mais nova pesquisa Focus do Banco Central indica que a expectativa para o IPCA é de um aumento de 4,91% em 2026, caindo para 4,0% em 2027. (Foto: Reuters)
Por Opinião em Pauta com dados da Reuters.



