A verdadeira razão por trás da retaliação de Trump?

Por trás da retórica protecionista do ex-presidente Donald Trump, pode estar um motivo muito mais estratégico e menos visível: os minerais críticos brasileiros. Nesta quinta-feira (24), Raul Jungmann — presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e ex-ministro da Segurança no governo Temer ,  revelou que o encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, voltou a demonstrar o interesse direto de Washington nos chamados minerais críticos e estratégicos (MCEs).

Esse tipo de recurso, essencial para a produção de semicondutores, baterias, equipamentos militares e tecnologias de energia limpa, tem se tornado peça-chave na geopolítica contemporânea. Não por acaso, os Estados Unidos intensificaram acordos sobre “terras raras” com Ucrânia e China nos últimos meses. E aqui está o ponto: o Brasil figura entre os países com as maiores reservas desses minerais no mundo, ao lado justamente da China.

O recado norte-americano, transmitido de forma reiterada por Escobar em encontros com representantes do setor privado brasileiro, levanta uma hipótese incômoda: seria o recente tarifaço de Trump contra o Brasil apenas mais um episódio na disputa global por recursos estratégicos?

O Ibram não tem prerrogativas diplomáticas formais, mas representa as principais mineradoras do país. A repetição da mensagem por parte dos EUA , registrada por Jungmann como tendo ocorrido também há cerca de três meses , indica uma pressão constante, quase silenciosa, que talvez explique mais sobre o atual clima de retaliações comerciais do que qualquer justificativa oficial.

No tabuleiro global, o minério brasileiro vale mais do que ouro. E Washington sabe disso.

 

A cobiça

A cobiça sobre as riquezas do subsolo brasileiro é antiga  e atual
A exploração do ouro brasileiro, entre os séculos XVIII e XIX, não apenas drenou as reservas coloniais, como também financiou, em parte, a Revolução Industrial na Inglaterra. Essa dinâmica histórica de um Brasil fornecedor bruto de matéria-prima, não desapareceu. Apenas mudou de protagonistas.

Hoje, são os chamados minerais estratégicos como lítio, nióbio, cobre, manganês e terras raras que atraem o apetite de potências globais. A diferença é que, em vez da Coroa britânica, os interesses agora vêm, cada vez mais abertamente, da China , dos Estados Unidos. . A nova corrida por esses insumos essenciais para a transição energética e para as tecnologias de ponta recoloca o Brasil no tabuleiro da geopolítica mundial. (Foto: Reprodução)

 

Por Opinião em Pauta com informações do G1

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