A pirataria como método e a rapina como objetivo do capital

Henrique Acker –  O ataque à Venezuela e o sequestro de seu presidente, sem consentimento da ONU e sequer obter o aval do Congresso estadunidense, inaugura uma nova era da política internacional. Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que seu objetivo é tomar o petróleo da Venezuela e governar o país com um grupo de sua confiança.

Com sua requentada Doutrina “Monroe”, Trump não só deixa claro que tratará as Américas como o quintal dos EUA, como usará de quaisquer meios para subjugar os povos do Continente e rapinar suas riquezas.

Donald Trump já disparou ameaças contra a vice-presidenta da Venezuela – que rechaçou suas pretensões – como também contra os presidentes da Colômbia e do México.

O episódio de 3 de janeiro rompe por completo com o direito internacional, com as instituições e organismos mundiais de diálogo e cooperação, impondo a pirataria como método de ação nas Américas. Fica claro para quem quiser ver que a defesa da democracia e o combate ao narcotráfico são apenas cortinas de fumaça do imperialismo reciclado dos EUA.

Mais do que isso, abrem-se as portas para que ações semelhantes sejam adotadas em qualquer parte do planeta por governos que pretendam impor suas políticas contra nações que tenham orientações políticas e econômicas diferentes.

Ou seja, daqui em diante a política internacional terá como prática normalizada a pirataria e a rapina, as intervenções militares e o sequestro de dirigentes. Mas não fica por aí. Trump também retoma a política de ingerência direta nos processos eleitorais na América Latina para tentar legitimar seus aliados.

Na eleição de novembro, em Honduras, o candidato apoiado por Trump estava na frente da apuração de votos quando a própria Comissão Eleitoral interrompeu o processo por inúmeras evidências de fraude.

Entre elas, a não coincidência entre o número de votantes e o número de votos em milhares de urnas, com atas falsificadas num conluio entre juízes de mesas eleitorais dos grandes partidos de direita.

Ao mesmo tempo em que acusa – sem provas – Nicolas Maduro por crimes ligados ao tráfico internacional de drogas, o próprio Trump ordenou a soltura de seu aliado, Orlando Hernandez, ex-presidente hondurenho, condenado e preso por tráfico de drogas pela justiça dos EUA.

 

Bases militares dos EUA ao redor do mundo

 

Aproveitando-se da enorme superioridade militar, embasada na tecnologia de ponta (BVR) que direciona armas de guerra aos seus alvos antes que possa haver uma reação do adversário, o governo de Trump demonstra que emprega o aparato fabricado pelas grandes empresas de ponta (big-tech) dos EUA e os setores do grande capital que as financiam.

Está evidente que um país governado pela extrema-direita, com um aparato militar com mais de 700 bases espalhadas por todo o planeta, é o único capaz de provocar grandes conflitos internacionais.

Isso facilitado pelo mapeamento de tudo que se passa no planeta, através dos 8.000 a 9.000 satélites que os EUA controlam na órbita da Terra e os bilhões de aparelhos celulares operados pelas big-tech estadunidenses que circulam pelo mundo.

O mundo está se tornando cada vez menor e mais perigoso. Será preciso uma reação internacional coordenada para banir da vida política e institucional os partidos e grupos neofascistas. Sob pena deles arrastarem a humanidade para uma nova guerra mundial, que poderá ser a última.

Por trás da extrema-direita não estão apenas seus apoiadores fanatizados – como assistimos com o bolsonarismo no Brasil – mas, sobretudo, o capital financeiro e as grandes holdings que tocam a economia com base na superexploração dos povos e preferem atuar sob regimes ditatoriais, nos quais não é preciso prestar contas à sociedade. (Fotos: Reprodução)

Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

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