O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) avalia que a reeleição do presidente Lula (PT) não pode ser atribuída exclusivamente ao Partido dos Trabalhadores. Após fracassar na tentativa de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo nas eleições de 2026, o dirigente defende que o quarto mandato de Lula seja sustentado por uma base política mais ampla, reunindo diferentes correntes partidárias e movimentos sociais, em sintonia com a mensagem das urnas. A avaliação foi feita em entrevista ao jornal O Globo.
Para Dirceu, o atual cenário político exige uma profunda reformulação do PT, com o objetivo de fortalecer o campo progressista, ampliar o diálogo com novos setores da sociedade e construir uma estrutura política capaz de se manter ao longo do tempo.
“A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT”, afirmou o ex-ministro, destacando a necessidade de articulação com partidos como PSOL, Rede, PDT e PSB.
Ao tratar da sucessão de Lula e da formação de novas lideranças na esquerda, Dirceu considera que o próximo nome a ocupar esse espaço deverá conquistar protagonismo por meio da atuação política e administrativa, e não por uma escolha antecipada.
“Terão de provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar. O (Fernando) Haddad se destacou como ministro da Fazenda e da Educação e ganhou espaço”, declarou.
O ex-ministro também defendeu uma aproximação com setores da sociedade que votaram na oposição, especialmente evangélicos e jovens que apoiaram Flávio Bolsonaro. Para ele, o diálogo deve prevalecer sobre qualquer postura de confronto ou discriminação política.
“Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar”, afirmou.
Na avaliação de Dirceu, a construção de uma base sólida para garantir a governabilidade passa pela articulação de forças partidárias, empresariais e dos trabalhadores em torno de reformas estruturais. Entre as prioridades, citou mudanças nos sistemas tributário, financeiro, político e no Judiciário, sem comprometer direitos sociais consolidados.
“Não nos peçam para fazer aquilo que o eleitorado não aprovou. Uma das razões da mobilização foi o medo de perder a vinculação do salário mínimo, a aposentadoria, a saúde, a educação”, ressaltou.
Sobre sua derrota eleitoral, Dirceu atribuiu parte das dificuldades enfrentadas durante a campanha ao tratamento de saúde contra um linfoma, realizado entre maio e setembro deste ano. O ex-ministro, no entanto, afirmou que não pretende disputar novamente cargos eletivos.
“Já virei essa página. Não serei mais candidato”, concluiu. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações de O Globo



