Lula aceita falar com Trump, mas veta negociar resultado da eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está disposto a conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso seja procurado pelo republicano. A disposição, porém, não significa que o governo brasileiro pretenda tomar a iniciativa de buscar Washington para discutir o reconhecimento do resultado das eleições brasileiras ou a situação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno.

Nesta quinta-feira (29), Trump afirmou a jornalistas que pretende conversar com Lula. Apesar da declaração, voltou a questionar a eleição brasileira. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, ainda não há data definida para uma eventual nova conversa entre os dois presidentes.

De acordo com a emissora, Lula autorizou-se a receber o contato de Trump, mas não deu aval para que integrantes de seu governo procurem autoridades americanas com o objetivo de tratar do reconhecimento de sua vitória eleitoral ou do caso de Flávio Bolsonaro.

Até o momento, Trump não cumprimentou publicamente Lula pela vitória nas urnas, no domingo (25). Mais do que isso, o presidente americano afirmou, sem apresentar provas, que a eleição brasileira parecia ter sido fraudada.

Outra frente de tensão envolve Flávio Bolsonaro. Trump admitiu ter conhecimento de que os Estados Unidos permitiram a entrada do senador e de familiares em território americano. Flávio chegou ao país utilizando um passaporte diplomático brasileiro que havia sido cancelado e, segundo as informações divulgadas, deixou o Brasil em desacordo com determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

O episódio amplia o desgaste diplomático entre Brasília e Washington, que já enfrentam divergências em outras áreas. Entre elas está o tarifaço americano sobre parte dos produtos brasileiros, além de um impasse diplomático envolvendo a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, e sua saída e eventual retorno ao território americano.

O governo Lula também mantém divergências com as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, as chamadas big techs, que contam com o respaldo da administração Trump.

Diante desse cenário, Lula mantém aberta a possibilidade de diálogo com a Casa Branca, mas sem tomar a iniciativa de negociar questões que envolvem a legitimidade do resultado eleitoral brasileiro ou a situação política e judicial de Flávio Bolsonaro.  (Foto: TV Globo)

Por Opinião em Pauta com informações da CNN

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