Mais de 3 milhões de adolescentes ainda precisam completar vacinação contra a dengue
Mais de 3 milhões de adolescentes que receberam a primeira dose da vacina contra a dengue ainda precisam retornar aos postos de saúde para completar o esquema vacinal. A imunização é feita em duas etapas, com intervalo de três meses entre as aplicações, e a proteção prevista pelo esquema depende da segunda dose.
Os números foram apresentados pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada na semana passada, no Rio de Janeiro.
Segundo Gatti, 11,8 milhões de doses já foram aplicadas no Brasil, sendo 7,6 milhões correspondentes à primeira dose e 4,2 milhões à segunda. Além disso, quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios ainda aguardam aplicação.
A preocupação aumenta com a proximidade do verão, período em que os casos de dengue costumam crescer no país. Nesta temporada, a influência do fenômeno El Niño pode contribuir para uma elevação ainda maior das ocorrências, conforme alerta da área de saúde.
Gatti destacou a dificuldade de convencer adolescentes a se vacinarem, especialmente porque muitos não percebem o risco da doença. Por isso, defendeu que a imunização ocorra preferencialmente antes do período de maior circulação do vírus, permitindo que a população esteja protegida quando os casos aumentarem.
Vacinação disponível em todo o país
A campanha começou pelos municípios com maior incidência de dengue e foi ampliada progressivamente até alcançar todo o território nacional. O público-alvo definido pelo Ministério da Saúde são crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
De acordo com o diretor do PNI, a escolha dessa faixa etária levou em consideração os dados de segurança disponíveis quando a vacina foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), além do risco de evolução para quadros graves da doença.
Gatti afirmou que novos conhecimentos científicos vêm ampliando as informações sobre a segurança da vacina e que a possibilidade de estender a imunização a outras faixas etárias está em avaliação. A eventual ampliação, porém, depende de análises de segurança, disponibilidade de doses, orçamento e capacidade operacional.
A vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, não tem capacidade de fabricação suficiente para atender imediatamente a toda a população brasileira. Apesar disso, segundo o diretor, o abastecimento necessário para atender ao público-alvo está garantido.
Além das doses entregues em 2024 e 2025, o contrato vigente prevê o fornecimento de 9 milhões de doses em 2026 e outras 9 milhões em 2027.
Vacina do Butantan continua suspensa
Durante a apresentação, Eder Gatti também esclareceu que a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan permanece suspensa.
A decisão do Ministério da Saúde, anunciada em junho, ocorreu após a identificação de três casos de dengue grave em pessoas vacinadas, dois deles com evolução para óbito, entre mais de 500 mil indivíduos que receberam o imunizante.
Até o momento, não foi estabelecido que a vacina tenha provocado os casos. A proximidade temporal entre a vacinação e os episódios, entretanto, foi considerada um sinal de segurança que exige investigação complementar.
Segundo Gatti, a suspensão não significa o cancelamento definitivo da vacina, mas a necessidade de aprofundar os estudos para determinar se existe algum risco relacionado ao imunizante.
O diretor classificou a tecnologia desenvolvida pelo Butantan como uma grande esperança para o país. O plano inicial previa a possibilidade de vacinar entre 40 milhões e 60 milhões de pessoas por ano, o que permitiria alcançar toda a população elegível em aproximadamente três anos.
Antes de avançar com essa estratégia, porém, o Ministério da Saúde precisa esclarecer as dúvidas levantadas pelos episódios registrados após a vacinação. (Foto: Butantan)
Por Opinião em Pauta com informações da Agência Brasil



