Povo nas ruas e “exército” nas redes deram vitória a Lula

Henrique Acker –  Os números estão aí para comprovar a vitória maiúscula de Lula no segundo turno da eleição presidencial. Foi uma virada histórica, arrancada nas ruas e nas redes sociais.

Quando todo mundo dava como certo um triunfo da extrema-direita e a volta das trevas, a juventude brasileira tomou a campanha nas mãos e a colocou onde tinha que estar.

Uma passeata de estudantes em Niterói, no primeiro dia do segundo turno, deu a partida para outra campanha eleitoral. Uma campanha das aglomerações, das bandeiras, das palavras de ordem, do protesto e da afirmação da democracia e em defesa das conquistas do povo.

O barulho das ruas se fez sentir na internet. Um tal “Exército de Lula”, sob o comando de André Janones, surgiu para organizar a campanha nas redes sociais, orientando os “soldados” a “batalhas” diárias de forma organizada.

Os burocratas partidários e marqueteiros de plantão, que vivem no mundo da bajulação e da especulação, saíram de cena. Quem tem o termômetro das dores e desejos populares é o próprio povo.

Aquilo que se viu no primeiro turno, com apelo a realizações e slogans frios, abriu caminho para mares de gente em todo o país. Das grandes e médias cidades, até as pequenas localidades, que nunca tinham assistido a passeatas.

O povo entendeu que era preciso acordar para evitar a tragédia de outros quatro anos de mediocridade e desmandos. Tomou a campanha de Lula nas mãos e a energia transbordou em pequenas e grandes iniciativas.

Na internet, o “Exército de Lula” foi implacável no cumprimento de suas tarefas, furando as bolhas e atingindo mais de 11 milhões de “soldados”. A alegria e o bom humor contagiaram as redes e as ruas. Finalmente a disputa política chegou ao mundo digital.

No dia da eleição, mesmo com todas as pesquisas dando leve favoritismo para o candidato da extrema-direita, não foi possível às classes dominantes conter a energia e deter a vontade popular.

Tentaram impedir o povo das periferias de São Paulo e Salvador de votar, recolhendo os ônibus. Muitos que não conseguiram ou não puderam votar no primeiro turno compareceram às seções eleitorais em 25 de outubro.

Mulheres com crianças de colo, idosos apoiados em bengalas e até em cadeiras de rodas, jovens transbordando de energia. A maioria exibia nas roupas adesivos com Lula e o número 13.

O ódio deu lugar à alegria, sentimento que inspira as mudanças e o progresso. Muitos viajaram de longe para votar. Nunca um voto valeu tanto. Os que votaram em branco, nulo e os que se abstiveram no primeiro turno compreenderam o que estava em jogo.

No Rio, capital das milícias, o bolsonarismo foi derrotado no segundo turno. Sambistas se uniram para manifestar seu apoio a Lula. Copacabana e a Avenida Rio Branco mais uma vez se vestiram de vermelho.

Nos bairros populares da Zona Oeste, sob a opressão de grupos milicianos, a campanha tomou as ruas, desafiando a ordem reinante. Algo impensável até então.

Lula não vai nos levar ao paraíso. Nem nos entregar tudo que desejamos. Ainda mais porque terá que enfrentar os ressentidos da extrema-direita e as chantagens do Centrão no Congresso Nacional, porta-vozes de uma classe dominante decadente.

Nos gabinetes da política real, as possibilidades serão sempre limitadas. Mas as novas gerações de brasileiros aprenderam que sua força está nas ruas, desde a campanha que arrancou o fim da jornada de trabalho 6×1. É nesse campo que o povo manda os seus jogos e pode vencer, combinando com as batalhas no mundo digital. (Foto: Reprodução)

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

 

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