Henrique Acker – O acesso dos partidos políticos ao Fundo Eleitoral de Financiamento de Campanha (FEFC), em vigor desde 2017, não impede a interferência de grandes grupos privados nas eleições brasileiras. As doações deixaram de ser das empresas (pessoas jurídicas) e passaram a ser de seus donos, os empresários.
Nesta eleição (até 19 de outubro), o PL, do candidato Flávio Bolsonaro, dispôs de R$ 95,5 milhões do FEFC, enquanto o PT, de Lula, recebeu do FEFC a quantia de 118,4 milhões.
Banqueiros se aproximam de Flávio
Para o PT, o Fundo Eleitoral corresponde a 97% da arrecadação de campanha, enquanto 71% dos recursos do PL são do FEFC. As doações de empresários e correligionários representam 29% do total da campanha de Flávio Bolsonaro e apenas 1,7% da campanha de Lula.
O que difere as doações de grandes empresários a candidatos são as escolhas que as classes dominantes fazem nas eleições. Basta comparar os nomes e perfis dos doadores de campanha de Flávio Bolsonaro com os de Lula.
Até o final do primeiro turno, os pesos pesados do mercado financeiro apostavam suas fichas na reeleição do presidente Lula. Com a vitória de Flávio Bolsonaro, os grupos da Faria Lima procuraram uma aproximação com a campanha do candidato da extrema-direita.
Doações robustas do agronegócio
Flávio Bolsonaro recebeu sete doações de R$ 800 mil a R$ 1,1 milhão. Um único doador, Eloi Vitório Marchett, empresário de soja e pecuária do agronegócio do MT, repassou R$ 2 milhões à campanha do PL.
Outros 14 grandes empresários fizeram doações entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Um grupo de 34 empresários doou de R$ 100 mil a R$ 285 mil. Um total de R$ 27 milhões.
Os setores mais representados entre os maiores doadores individuais de campanha de Flávio Bolsonaro são o agronegócio (R$ 7,8 milhões), a construção civil (R$ 2,4 milhões) e a indústria (pelo menos R$ 1 milhão).
PT tem contribuições modestas
As doações individuais de campanha para o presidente Lula são, em volume e quantias, bem mais modestas. São depósitos feitos por parlamentares, membros e simpatizantes do PT, na maioria profissionais liberais.
O destaque é para o empresário gaúcho Erasmo Carlos Battistella – do maior grupo produtor de biodiesel do país – que doou R$ 500 mil, mesmo valor que repassou à campanha de Flávio. Outro doador importante dispôs R$ 90 mil para a campanha.
Os outros 62 maiores doadores contribuíram com quantias que variam de R$ 5 mil a R$ 50 mil. Ao todo, até aqui a campanha de Lula recebeu R$ 2 milhões em doações. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do Nexo, G1, Metrópoles e O Globo.



