O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (19) que entregará, nesta terça-feira (20), à Justiça Eleitoral, um documento autorizando a quebra de seu sigilo bancário e o de seus cinco filhos. O candidato à reeleição espera que seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também autorize a divulgação de informações financeiras sobre seus negócios e patrimônio.
“Vou entregar isso aqui amanhã [documento em mãos] no Tribunal Eleitoral, na expectativa de que o adversário apresente a proposta de abrir o sigilo da sua empresa e de seus negócios, porque é preciso acabar de uma vez por todas com essa história de chamar gente honesta de ladrão”, declarou Lula durante uma agenda de campanha no Rio Grande do Sul.
Segundo o presidente, a iniciativa pretende permitir que a sociedade brasileira tenha acesso a informações que ajudem a esclarecer suspeitas e a distinguir quem, de fato, cometeu irregularidades.
“A única coisa que eu estou pedindo é que ele tenha coragem de provar que é honesto, que faça como estou fazendo. E eu quero que a Justiça investigue e divulgue para o povo brasileiro saber quem é ladrão e quem não é ladrão”, afirmou.
Lula explicou que decidiu incluir os cinco filhos no documento por considerar que sua família costuma ser alvo de questionamentos durante as campanhas eleitorais. O presidente também classificou a iniciativa como uma defesa de sua honra e de sua trajetória política.
“Fiz questão de colocar meus cinco filhos, porque sei que, em toda eleição, fazem algo contra minha família. Então, decidi não ficar quieto. Essa é minha última disputa presidencial, então não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo. Isso aqui é em defesa da minha honra, da minha família, porque não podemos ter um ladrão governando esse país”, declarou.
Durante a manifestação, o presidente também questionou a origem dos recursos utilizados por Flávio Bolsonaro na compra, à vista, de uma mansão avaliada em R$ 10 milhões. O senador tem salário bruto mensal de R$ 46,3 mil, segundo os valores mencionados por Lula.
“Eu não posso admitir que fui presidente três vezes, moro em um apartamento comprado em 1998, e não posso aceitar que um cidadão que ganha o mesmo salário que o presidente da República possa comprar uma casa de R$ 10 milhões à vista sem explicar de onde vem o dinheiro”, afirmou.
O petista também comentou o comportamento do adversário durante o debate presidencial do segundo turno, realizado no domingo (18), pela Band. Lula criticou o fato de Flávio Bolsonaro ter utilizado acusações contra ele durante o confronto.
“Todo mundo sabe a vida pregressa dele, todo mundo conhecia minha biografia, sabe a história de cada um. Não posso permitir que um miliciano fique atrás de mim no debate, com um escrito na mão: ‘corrupto’, porque corrupta é a família dele, é ele”, concluiu.
Mais cedo, o coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana (PT), já havia antecipado a intenção do presidente de autorizar a abertura do sigilo bancário. Na ocasião, porém, indicou que a iniciativa estaria condicionada à adoção de uma medida equivalente por Flávio Bolsonaro.
Pesquisas qualitativas realizadas pelo Partido dos Trabalhadores apontaram que a proposta de Lula de abrir os sigilos dos dois candidatos à Presidência teria sido um dos principais destaques de sua participação no debate. A iniciativa, segundo a avaliação interna da campanha, ajudou a reforçar o discurso do presidente em defesa da transparência e a transferir ao adversário a responsabilidade de decidir se aceitará o desafio. (Foto: Ricardo Stuckert)
Por Opinião em Pauta com informações da CBN



