Henrique Acker – Pressionado pela opinião pública, Flávio Bolsonaro recuou e decidiu votar a favor da emenda constitucional que institui a jornada de cinco dias de trabalho por dois de descanso. Sob a alegação de que estava em campanha, o senador não compareceu ao plenário e votou à distância, junto com outros seis parlamentares de direita.
Apesar da tentativa de evitar o desgaste, a manobra eleitoral foi criticada pelos senadores da base do governo Lula. Nos bastidores, o candidato da extrema-direita mantém a PEC 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) – assessor de campanha de Flávio – que cria o trabalho remunerado por hora.
Em atenção aos interesses do empresariado, Flávio Bolsonaro declarou em campanha ter “uma proposta infinitamente melhor, que é a da liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária”.
A proposta prevê um regime no qual patrão e trabalhador estabelecem uma negociação direta sobre o número de horas trabalhadas, sem qualquer interferência do sindicato. Assim, o negociado passa a valer sem levar em conta a legislação trabalhista.
Se aprovada pelo Congresso, a mudança terá impacto direto no salário, 13 salário, férias e FGTS e qualquer benefício vinculado à remuneração. Vale-alimentação, auxílios e gratificações também podem sofrer reduções.
Chantagem patronal
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes chamou a decisão do Congresso de “tragédia”. Para Paulo Solmucci, “vamos promover um desarranjo na qualidade do serviço”.
Para ele, muitos bares e restaurantes vão fechar um dia adicional por semana, seja pelo aumento do custo, seja pela falta de mão de obra.
“Decisões açodadas têm um preço alto. E, infelizmente, essa conta será paga por toda a sociedade”, declarou Paulo Skaf, presidente da FIESP e financiador de campanha de Flávio Bolsonaro.
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que a medida representa “um retrocesso para o Brasil”. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o fim da escala 6×1 pode causar inflação, demissões e perda de competitividade à economia brasileira. Ele aposta que o novo Congresso Nacional vai “revisitar o tema”.
Já a Central Única dos Trabalhadores comemorou a aprovação do fim da escala 6×1. “Não é uma concessão nem um presente das elites, ela é a vitória maiúscula da luta, do suor e da organização da classe trabalhadora brasileira”, diz a nota da CUT.
Pelos dados de 20 da PNAD Contínua do IBGE, 22 milhões de trabalhadores do mercado formal – ou 54% do total – possuem jornadas semanais acima de 40 horas. Entre os empregados informais, aproximadamente 4,8 milhões trabalham em jornadas superiores a 40 horas. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de O Globo, cartilha “Por que queremos o fim da jornada 6×1?” – Dieese, CUT, Abrasel, Fiesp e CNI.



