Estudantes vão às ruas contra o “tesouraço” de Flávio Bolsonaro

Henrique Acker  –  Estudantes universitários e secundaristas de todo o Brasil ocuparam as praças e ruas das capitais do país nesta quarta-feira, 7 de outubro. O movimento foi uma resposta às medidas previstas no plano de governo de Flávio Bolsonaro, que aponta para um “tesouraço” nos investimentos públicos, sobretudo na educação pública.

No Rio, os estudantes realizaram uma das maiores manifestações do país. Eles se concentraram na Candelária, tomaram a Avenida Rio Branco e seguiram até a Cinelândia, fechando o trânsito no Centro da cidade.

 

Pela democracia

A União Estadual dos Estudantes e as entidades do movimento secundarista convocaram a concentração. Sob o lema “Juventude na rua pela Democracia”, milhares de jovens caminharam até a Cinelândia.

Entre as palavras-de-ordem, uma das mais entoadas foi “Trabalhador, olha pra cá, eu tô na rua pro seu filho estudar”. Não faltou o apoio explícito ao presidente Lula e o já tradicional “Ei, Bolsonaro, vai tomar…”. Os estudantes também manifestaram apoio ao fim da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso.

Para convocar as manifestações, os centros e diretórios acadêmicos universitários realizaram cerca de 70 assembleias nos campi de todo o país. Recentemente, a UNE lançou a campanha “Estudantes com Lula”, posição assumida pela entidade para o segundo turno da eleição presidencial.

A mobilização estudantil no Brasil ocorre no momento em que os estudantes franceses lançaram uma onda gigantesca de protestos contra os cortes de investimentos do governo Macron. Os franceses denunciam a degradação do ensino nas escolas do ensino básico e secundário, nas quais faltam insumos básicos e há turmas com mais de 40 alunos.

Ameaças à educação pública

As manifestações de 7 de outubro foram convocadas em todo o Brasil pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e grêmios das escolas secundárias. Professores das redes pública e privada de ensino e dos sindicatos de docentes universitários manifestaram apoio ao movimento.

O Plano de Governo de Flávio Bolsonaro prevê a ampliação do sistema de escolas cívico-militares e a vinculação dos repasses de verbas para a educação a indicadores de aprendizagem nas escolas. Também aponta para o uso de um voucher de ensino em escolas particulares para alunos que não encontrem vagas nas escolas públicas.

Lideranças estudantis temem que as medidas anunciadas pela equipe de Flávio Bolsonaro atinjam programas de combate à evasão escolar, como o Pé-de-meia, que incentiva a permanência de jovens nas escolas de ensino básico, e o EJA (Educação de Jovens e Adultos).

De acordo com educadores e dirigentes estudantis, assim como a saúde, o ensino sofreria cortes previstos no “tesouraço” de Flávio Bolsonaro. O corte seria equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em investimentos só em 2027.

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com nossa reportagem e informações de UOL Notícias, União Nacional dos Estudantes, Congresso em Foco e Brasil de Fato.

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