Henrique Acker – O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou em 16 de setembro que mais de 4.300 armas de fogo já foram apreendidas pelas polícias do Rio de Janeiro, só nos oito primeiros meses de 2026. Entre elas, 600 fuzis.
Em 2025, ano recordista de apreensões desde que passou a vigorar a legislação que ampliou a compra de armamentos por CACs, foram recolhidas 108.786 armas de fogo no país, sendo 6.113 só no Rio. Dessas, 920 eram fuzis de grosso calibre e longo alcance.
“Nós estamos utilizando armas de guerra em confronto em perímetros urbanos, onde a população não está preparada, nem treinada e nem alerta para viver em uma área de guerra”, concluiu o especialista em segurança pública Ricardo Bandeira, em depoimento à TV Record.
Caçadores e colecionadores
O Decreto nº 10.629/2021 do governo Bolsonaro permitia a aquisição de até 60 armas, sendo 30 de calibre restrito, aos atiradores desportivos. Pela mesma legislação, os caçadores poderiam adquirir 30 armas (15 de uso restrito) e o limite de munições era de 5 mil unidades por arma e 2 mil por armas de uso restrito.
Em julho de 2023, no primeiro ano de seu atual mandato, o presidente Lula editou o Decreto nº 11.615. A nova legislação reduziu os limites de compra de armas e munições, restringindo o acesso de CACs a calibres como 9mm, .40 e .45.
Mesmo com as restrições impostas pelo governo Lula, 1.064.959 de pessoas possuem Certificado de Registro (CR) ativo de CAC (Caçadores, Atiradores desportivos e Colecionadores) no Brasil. Os dados constam do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.
De acordo com informação de 2026 do Ministério da Defesa, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica possuem 341.260 militares. O número de CACs é três vezes maior do que o total de efetivos das Forças Armadas brasileiras, formando um verdadeiro “exército irregular”.
3,2 milhões de armas sem registro
Cerca de dois milhões e cem mil empresas e pessoas físicas podem ter armas no Brasil. No total são 5,4 milhões de armas registradas no país, sendo 1,6 milhão com documentação vencida, de acordo com o Anuário de Segurança Pública 2026. Outro 1,6 milhão de armas está nas mãos de CACs.
Em 2025, o Brasil registrou um aumento de 5,4% de apreensões em relação a 2024. A maioria das armas apreendidas pelas polícias do Rio é de armamentos sem registro e outra parte de CACs.
Para David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de armas sem registros atualizados é alarmante.
“Na prática, o Estado brasileiro não tem pleno conhecimento sobre o paradeiro dessas armas, que foram adquiridas legalmente”, concluiu Marques em relato para o Portal G1.
Made in USA
A Subsecretaria de Inteligência da PM do Rio de Janeiro realizou um levantamento, revelando que, dos 638 fuzis apreendidos no ano de 2024 pela corporação, 604 (94,68%) foram fabricados no exterior, a maioria nos Estados Unidos.
Com licença para ser comercializada em outros países, o armamento da plataforma Colt entra de forma clandestina no Brasil pelas fronteiras do Paraguai, Bolívia e Colômbia.
O estudo concluiu que muitos fuzis chegaram em peças avulsas, também compradas nos EUA. Depois de montadas por especialistas, as armas eram vendidas às facções criminosas por cerca de R$ 50 mil cada. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do Anuário de Segurança Pública 2025 e 2026, Instituto Sou da Paz, SSI/PM-RJ, TV Record, G1, Agência Brasil, Carta Capital, Ministério da Defesa.


