Henrique Acker – Em recente entrevista a um canal de YouTube, o cientista político Alberto Carlos Almeida – analista de processos eleitorais e autor de três livros sobre este tema – comentou o quadro da eleição presidencial de 2026. De acordo com Alberto, um candidato governista só consegue ter chances reais de reeleição se seu governo alcançar 36% de aprovação do eleitorado.
Pela pesquisa Datafolha com dados de 15 a 17 de setembro, o Governo Lula tem 34% de aprovação. O atual presidente teria 40% de intenções de voto e Flávio Bolsonaro 36%. Já na pesquisa Quaest, divulgada em 28 de setembro, os que aprovam o governo também são 34%. Assim, o governo Lula ainda aparece em desvantagem com os que o desaprovam (41%).
Um contrapeso a isso seria o índice de rejeição aos dois candidatos pelo eleitorado. Neste quesito, a pesquisa Datafolha aponta empate em 45% de desaprovação para ambos. Na Quaest, a rejeição aos dois é quase a mesma: Flávio Bolsonaro com 56% e Lula com 55%.
Pesquisas apontam empate técnico
Há menos de uma semana da eleição, todas as pesquisas apontam para a realização de um segundo turno. Até aqui, as sondagens conhecidas indicam uma vitória de Lula sobre Flávio, sempre dentro da margem de erro. O que significa empate técnico.
Somente a pesquisa CNT/MDA, de 15 de setembro, deu uma vantagem expressiva para Lula sobre Flávio (40,6% a 30,4%) no primeiro turno. A diferença a favor do atual presidente seria de 47,3% contra 40% para Flávio no segundo turno.
A pesquisa BTG/Nexus, também divulgada na segunda-feira, 28 de setembro, apontou 42% a 37% a favor de Lula no primeiro turno. Já no segundo turno, Lula venceria por 46% a 44% dos votos.
Na reta final da campanha, Flávio Bolsonaro é quem mais tem a perder, em função da avalanche de revelações de sua proximidade com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Mas a grande massa do eleitorado parte sempre do pressuposto de que todo político é “ladrão”, observa o analista Alberto Carlos Almeida.
Padroeira, BETs e Vorcaro
Um tema que atinge o eleitor católico (maioria) foi a divulgação de um antigo projeto de um ex-deputado e ex-assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro. A questão se tornou bastante sensível, diante de um assunto que mexe com a religiosidade.
A proposta teria por objetivo alterar a menção a Nossa Senhora de Aparecida de “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Foi o estopim de uma polêmica que tomou a campanha nos últimos dias.
Flávio Bolsonaro desmentiu o apoio ao projeto e acusou a cúpula da Igreja Católica de divulgar notícia falsa. Foi o suficiente para ser repudiado pela CNBB, ao responder ao candidato da extrema-direita afirmando que “mentira não se combate com mentira”.
Outro ponto a considerar é qual será o impacto das medidas recém-anunciadas pelo governo – reajuste do valor do Bolsa Família e a Medida Provisória (MP) sobre o fim dos jogos digitais de apostas (BETs) – sobre o eleitorado.
Apesar do repúdio da maioria dos dirigentes dos grandes clubes, pesquisas de opinião apontam um apoio ao fim das BETS por cerca de 70% dos entrevistados.
De acordo com as sondagens eleitorais já conhecidas, Lula lidera a intenção de voto em 11 estados (a maioria do Nordeste – com destaque para a Bahia – e Minas Gerais). Flávio aparece na frente em 8 estados, incluindo S. Paulo e Rio de Janeiro, e no Distrito Federal. (Foto: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de G1, Poder 360, Veja, Congresso em Foco, Brasil de Fato, Instituto Datafolha, Instituto Quaest, pesquisa CNT/MDA, Programa Farol Brasil e CNN Brasil.



