O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu votos nesta sexta-feira (25), durante encontro com empresários em São Paulo, e comparou a eleição presidencial a uma partida de truco. Segundo ele, uma escolha equivocada poderá trazer consequências para o país.
“Se você apostar errado, você vai quebrar a cara. Vocês sabem disso”, afirmou Lula, que discursou por mais de 30 minutos.
O presidente defendeu estabilidade política e jurídica e disse que um governante precisa ter “biografia” e experiência para comandar o país. Sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial, afirmou que não há, entre os candidatos, ninguém com mais experiência do que ele e seu vice, Geraldo Alckmin.
“O que tem em jogo nesse instante não é um candidato contra outro candidato. Se fosse só isso, eu sei que vocês vão votar em mim. Eu sou melhor do que eles. Eu sei disso”, declarou.
Lula disse ainda que não se incomoda com quem não gosta dele. “Pode ter alguém que até não goste de mim, não tem problema, eu não quero casar com vocês. Eu só quero o voto”, afirmou. Em seguida, voltou a defender sua candidatura e a de Alckmin como a melhor opção entre as alternativas colocadas na disputa.
Crescimento e ajuste fiscal
Ao falar sobre economia, Lula disse ter o sonho de transformar o Brasil em um país de classe média e afirmou que não se conforma com um salário mínimo de R$ 2 mil ou R$ 3 mil.
“Eu preciso que o povo ganhe mais. E vocês, empresários, precisam compreender que o trabalhador ganhando mais vai resultar em vocês ganharem mais”, disse.
O presidente também criticou as ações do governo de Donald Trump e afirmou que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pretende transformar a América Latina em um “quintal” americano. Segundo Lula, isso não ocorrerá caso seja reeleito.
Também presente ao encontro, Geraldo Alckmin afirmou que Lula é um presidente “vocacionado” e destacou medidas econômicas adotadas pelo governo, entre elas a aprovação da reforma tributária.
O vice-presidente também defendeu o ajuste fiscal e o controle dos gastos públicos, mas ponderou que o equilíbrio das contas não pode ocorrer à custa da paralisação da economia.
“Não dá para fazer ajuste parando toda a economia. O segredo é o PIB crescer”, afirmou.
Em outro momento do discurso, Lula foi aplaudido ao afirmar que a responsabilidade fiscal não deve ser tratada como mérito de um governo, mas como uma obrigação.
“Estabilidade fiscal é uma obrigação nossa. Não é nem mérito. É uma obrigação”, declarou.
Em um aceno ao empresariado, o presidente citou os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Delfim Netto, economista e ex-ministro da Fazenda.
Alckmin também defendeu um pacto entre Executivo, Legislativo e Judiciário para a construção de uma agenda conjunta. Segundo ele, medidas que aumentam despesas ou dificultam o equilíbrio das contas públicas prejudicam não apenas o governo, mas a população.
“Quando se faz uma pauta-bomba, não é contra o governo. É contra o povo”, afirmou. (Foto: Ricardo Stuckert)
Por Opinião em Pauta com informações do UOL


