Henrique Acker – O orçamento do Estado de São Paulo para 2026 prevê R$ 85,6 bilhões em isenções e renúncias fiscais concedidas a empresas. Esse montante representa um crescimento de 52% em relação aos R$ 55,5 bilhões estimados em 2022, último ano antes de Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumir o governo.
Só em ICMS são R$ 78,7 bilhões que deixarão de ser arrecadados. No entanto, o governo do Estado SP não revela os nomes das empresas beneficiadas. A Secretaria de Fazenda e Planejamento insiste na tese – já rechaçada pelo Tribunal de Contas do Estado – de que divulga a listagem dos setores beneficiados, mas sem os respectivos valores de renúncia fiscal.
Órgãos de controle e apontamentos técnicos relatam que parte expressiva das grandes empresas beneficiadas tinham débitos inscritos na dívida ativa estadual. Entre elas, 25 grandes devedoras acumulavam R$ 3,9 bilhões em dívidas, enquanto recebiam R$ 12,2 bilhões em benefícios fiscais.
Segundo auditoria do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), apenas 1% das empresas beneficiadas concentram cerca de 80% das isenções fiscais. Em junho, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou que o governo estadual divulgasse a relação com todos os nomes. Mas até agora a lista não apareceu.
Enquanto isso, as transferências voluntárias do Estado para os 654 municípios de São Paulo vêm apresentando quedas que chegam a 74%. Já a dívida consolidada do Estado de São Paulo manteve-se em patamares historicamente elevados, na faixa dos R$ 300 bilhões durante a gestão de Tarcísio de Freitas.

Serviços pioraram com privatizações
A administração de Tarcísio de Freitas no governo paulista é marcada por um forte programa de desestatização, concessões e extinção de órgãos públicos.
Os destaques vão para a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia – Emae em 2024, e a liquidação da EMTU (trens urbanos) em 2025, além de parcerias público-privadas para a gestão de infraestrutura escolar e rodoviária.
O Grupo Equatorial, que arrematou 15% das ações e passou a ser acionista mais importante da Sabesp, tem um histórico de serviços contestados nos estados onde atua. Coincidência ou não, depois que a Equatorial passou a controlar a Sabesp, a empresa trocou os hidrômetros em 75% das residências e as contas de água dispararam para três a cinco vezes a mais.
Os recentes processos de privatização foram marcados por graves problemas vividos pela população. Um deles, em 11 de maio, foi a explosão de uma tubulação de gás, numa obra da Sabesp, que levou à morte de duas pessoas e danificou 22 imóveis de uma rua no bairro do Jaguaré, na capital paulista.
O outro foi o incêndio numa composição de trem urbano no primeiro dia de operação da concessionária Trivia Trens (23 de julho), causando pânico e caos no transporte na Grande São Paulo. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi obrigada a retomar a operação das linhas 11, 12 e 13 por 90 dias, pela incapacidade da concessionária em operar o sistema.

Zettel (Master) e outros milionários financiaram Tarcísio
A Operação Ícaro, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), revelou um esquema de corrupção de proporções bilionárias dentro da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).
Segundo o MP, as fraudes favorecendo grandes empresas podem representar um rombo de R$ 3,8 bilhões na arrecadação de impostos, em troca propinas no valor de R$ 1 bilhão. Entre os grupos favorecidos estão o Fast Shop e a Ultrafarma, cujos donos foram presos e liberados sob fiança de R$ 25 milhões cada.
Entre os financiadores de campanha de Tarcísio de Freitas na eleição de 2022 figuram Fabiano Zettel (cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master), com R$ 2 bilhões, os agropecuaristas Maribel Golin (R$ 500 mil) e Luciano Mafra (R$ 300 mil), e os bilionários Abílio Diniz, já falecido, e Rubens Ometto, do Grupo Cosan (R$ 200 mil cada).
Outros grandes empresários também constam da lista de doadores para Tarcício, como José Salim Mattar, do Grupo Localiza (R$ 800 mil), Rui Denardin (R$ 300 mil) e Armindo Denardin (R$ 200 mil), Grupo Mônaco, do setor automotivo. Washington Umberto Cinel (Gocil Vigilância e Segurança) com R$ 300 mil, assim como Cláudio José Dias Sales (R$ 250 mil), do setor de projetos e consultoria, também participaram da vaquinha empresarial para eleger Tarcísio de Freitas.
Cresce a violência policial
De acordo com a Rede de Observatórios da Segurança, que monitora dados sobre violência em todo o país desde 2019, o estado de São Paulo registrou 834 vítimas fatais por intervenções policiais em 2025, um aumento de 2,7% em relação a 2024.
Dados do Instituto Sou da Paz, que monitora a atuação das polícias, a letalidade policial no estado de São Paulo registrou um crescimento nos quatro anos da gestão Tarcísio de Freitas. Só nos três primeiros meses de 2026 a polícia de SP matou 177 pessoas.
Batalhões de elite e unidades como as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) e os BAEP registraram alta expressiva nas ocorrências com morte em várias regiões do estado. Um dos motivos foi o relaxamento no uso de câmeras corporais dos policiais, cuja utilização havia derrubado os índices de morte por ações policiais antes de 2023.
O secretário de segurança, Guilherme Derrite – atual deputado federal e candidato ao Senado, é um conhecido incentivador do chamado “confronto direto”.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do TCE-SP, Balanço Geral SP Manhã – TV Record, G1, CNN Brasil, UOL Notícias, Agência Infra, Anuário Estatístico de Segurança Pública, Instituto Sou da Paz, Adunesp, Sindicato dos Bancários-SP e CUT-SP.



