Lula chama 6×1 de “jornada escrava”; Flávio luta contra 5 X 2

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou sua determinação em abolir a jornada de trabalho 6×1 e promover a diminuição das horas semanais de trabalho no Brasil. Ao argumentar a favor dessa transformação, Lula considerou o sistema vigente, que estabelece seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga, como uma “jornada de exploração”.

Lula utilizou sua experiência como trabalhador e líder sindical para argumentar sobre a importância de modernizar as relações laborais no Brasil. De acordo com o presidente, a diminuição das horas de trabalho não é somente uma vitória dos trabalhadores, mas também uma alteração que afeta diretamente a qualidade de vida de inúmeros brasileiros.

A sugestão em pauta diminui a carga horária de 44 para 40 horas por semana, garante dois dias de folga com pagamento e proíbe cortes nos salários. O projeto progrediu na Câmara dos Deputados há três meses e atualmente está sendo examinado no Senado.

 

Objetivo atingir 40 horas

Conforme o texto que recebeu aprovação na Câmara, a mudança acontecerá de maneira progressiva. A carga horária máxima será reduzida, primeiramente, para 42 horas por semana, dois meses após a aprovação da alteração. Após um ano, a jornada será limitada a 40 horas.

A mudança tem o potencial de transformar o dia a dia de milhões de trabalhadores no Brasil, aumentando o tempo livre para relaxamento, interação com a família, aprendizado, diversão e autocuidado.

Lula enfatizou particularmente como a transformação afeta as mulheres, que muitas vezes equilibram um emprego formal com uma segunda jornada em casa, que inclui cuidar dos filhos, de idosos e realizar atividades domésticas.

De acordo com o presidente, uma economia que seja mais eficiente e dotada de tecnologia moderna deve possibilitar que o aumento da produtividade se reflita também em mais tempo livre para os empregados.

Aliados de Flávio Bolsonaro tentam impedir avanço da mudança

Enquanto Lula busca a aprovação da diminuição da carga horária, os parceiros do candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, estão movimentando-se no Senado para criar ações que possam atrasar ou alterar a proposta.

Dentre as táticas estão solicitações de adiamento e a proposta de modificações que podem estender o debate e adiar uma resolução final para após as eleições.

O senador Hermes Klan propôs alterações com o objetivo de estender o intervalo para a implementação da carga horária de 40 horas, podendo essa transição se prolongar por até quatro anos. Além disso, sua sugestão desaprova a continuação de regimes de até 44 horas por semana por meio de legislação, convenções ou acordos coletivos.

Se as mudanças forem adiante, elas alterariam aspectos fundamentais da proposta que foi aprovada pela Câmara e poderiam diminuir o impacto imediato da modificação.

 

Flávio defende  trabalhar mais horas

Flávio Bolsonaro expressou uma opinião diferente da proposta por Lula em relação ao tempo de duração da jornada de trabalho.

O postulante do PL declarou abertamente que os trabalhadores deveriam ter a opção de estender suas jornadas de trabalho se quisessem incrementar seus ganhos.

“Caso opte por aumentar a carga horária, você também terá a oportunidade de ganhar mais”, declarou Flávio Bolsonaro.

A afirmação destaca uma distinção entre as propostas oferecidas aos eleitores durante a discussão sobre trabalho. De um lado, Lula prioriza a diminuição da carga horária e o aumento do tempo livre como parte de suas metas sociais. Por outro lado, Flávio Bolsonaro apoia uma flexibilidade maior que permita ao trabalhador desempenhar suas atividades por mais horas. (Foto: Ricardo Stuckert / Senado)

Por Opinião em Pauta com informações da Reuters

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