EUA acusam Brasil e mais 40 de ajudar China contra tarifas

Nesta quinta-feira (13), os Estados Unidos publicaram um relatório que atribui ao Brasil e a aproximadamente 40 nações o apoio à China na violação das tarifas de importação estabelecidas pelos americanos, utilizando práticas de transbordo ilegal.

Denominado “O Grande Plano do Transbordo”, o relatório categoriza as nações em diversos graus de conexão com a capital chinesa.

O Brasil foi inserido na categoria de “Nível 2”, que é definida como “Integração Econômica Relevante”, ao lado de nações como Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia.

De acordo com o relatório, essas nações apresentam grandes quantidades de transbordo ilegal, aliado à sua inserção nas cadeias de suprimento da China, além de atuarem em plataformas de produção, redes logísticas e rotas regionais para redirecionamento de produtos.

Nesse contexto, Brasília e Ancara funcionam como “relevantes centros regionais de produção e logística”, ao mesmo tempo em que “propiciam a modificação” de produtos em várias categorias para mudar sua origem registrada, aponta o relatório.

O Brasil é destacado como um dos “Corredores da América Latina” utilizados para o desvio de mercadorias nos Oceanos Pacífico e Atlântico, além de servir como ponto de armazenamento em terminais alfandegários e para a montagem regional de peças.

De acordo com o relatório, entre os principais aliados comerciais dos Estados Unidos, estão incluídos México, Canadá, União Europeia, Japão e Índia, todos categoricamente associados à China e classificados como “Líderes com Escalas Variadas” no “Nível 1”.

Este grupo é composto por nações e blocos econômicos que adquiriram “grandes quantidades absolutas” de produtos chineses, ao mesmo tempo em que possuem uma base industrial variada e amplas capacidades de exportação para os Estados Unidos. O relatório considera que o risco de desvio ilegal está intrinsecamente ligado aos fluxos legítimos de comércio nessas nações.

Diversas nações foram categorizadas como “Nível 3” de “Alvos Oportunistas Menores Chineses”, onde economias menores, que apresentam baixos índices de comércio ilegal, representam “pontos vulneráveis de vantagem” para a China, devido a fatores como o baixo custo da mão de obra, áreas de comércio livre, e acesso a portos ou fronteiras, entre outras características.

Camboja, Laos e Mianmar fazem parte dessa relação.

Além de contornar as taxas, os Estados Unidos ressaltam que o transbordo provoca consequências indesejadas na economia, resultando em demissões, diminuição do PIB e queda na arrecadação federal. O estudo compila projeções de diversas instituições financeiras, indicando que as perdas podem oscilar de US$ 40 bilhões a até US$ 300 bilhões anualmente.

O texto destaca que, neste momento, as importações provenientes da China enfrentam uma tarifa de 50%, levando em consideração que, além das taxas específicas, isso representa uma diferença significativa nas alíquotas em comparação a nações como o México e o Canadá, que usufruem de certas isenções asseguradas pelo acordo USMCA.

Dessa forma, o processo de “triangulação comercial” para externalizar a entrega de produtos chineses para os Estados Unidos poderia trazer vantagens para Pequim, conforme apontado no relatório.

Em uma postagem no X, Peter Navarro, que foi assessor econômico sob o governo Trump e autor do relatório, divulgou uma declaração que ele credita ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, enfatizando os danos causados pelo vazamento ilegal.

“Não se trata apenas de uma quebra nas normas comerciais, mas de uma tentativa intencional de escapar das tarifas. O presidente Donald Trump assegurará que esses produtos cumpram suas obrigações financeiras”, afirma a declaração.

Ultimamente, os Estados Unidos impuseram tarifas ao Brasil, Canadá, União Europeia e diversos outros países por diversos motivos, incluindo alegações de trabalho escravo, como parte de um esforço para restaurar as taxas que foram reduzidas pela Suprema Corte dos EUA no começo deste ano. (Foto: Reprodução Internet)

Por Opinião em Pauta com informações da CNN

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