Brasil vence com dedo de Ancelotti, mas sofre contra retrancas

A conquista em cima do Japão revelou dois aspectos do Brasil. O primeiro é a dificuldade da seleção em penetrar defesas bem organizadas e a fragilidade quando perde a posse de bola. O segundo é a capacidade do time de descobrir soluções no decorrer do jogo, especialmente devido à presença de um treinador no banco que possui uma visão tática diferenciada. Diante de acertos e falhas, Carlo Ancelotti percebeu o desafio, implementou as alterações necessárias e desfez uma situação que se tornava mais complicada.

Na etapa inicial, a impressão de domínio por parte da equipe brasileira mascarou vulnerabilidades semelhantes às observadas no jogo de abertura contra Marrocos. Após um início encorajador, a seleção viu seu desempenho cair drasticamente, principalmente após o gol do Japão, que resultou de um erro de Danilo. Após o intervalo para hidratação, o Japão aprimorou sua marcação, começou a neutralizar os atletas encarregados das assistências e encontrou brechas para avançar rapidamente, gerando problemas para Casemiro, Danilo e os defensores.

Com a bola nos pés, o Brasil aparentava estar sem rumo. As aproximações ao ataque eram escassas e, quando um atleta se aventurava para explorar um espaço, a assistência não se concretizava ou era interceptada. O setor direito praticamente não teve participação, enquanto na esquerda Vinicius Junior não conseguia passar pela defesa, seja em duelos diretos ou em jogadas de aproximação. Os jogadores brasileiros estavam confusos, cometendo erros tanto nos passes quanto nos deslocamentos para captá-los. Ancelotti se apresentou no intervalo diante de um desafio complicado a ser solucionado.

Mudanças surtem efeito

A resposta do técnico foi fundamental. As mudanças aumentaram a presença do Brasil no ataque e contribuíram para encurralar o Japão em sua defesa. Casemiro, um dos fundamentos do time e que enfrentou dificuldades durante o jogo, surgiu para igualar o placar. Martinelli, deslocado para uma posição que não se adequava totalmente ao seu estilo, revelou-se a surpresa que o italiano precisava e marcou o gol da vitória. Ancelotti encontrou uma alternativa sem precisar apelar para Neymar, uma estratégia que parecia atraente diante dos desafios do primeiro tempo.

Os resultados obtidos não eliminam as questões a serem resolvidas. Frente a oponentes bem estruturados, o ataque brasileiro ainda enfrenta obstáculos para aumentar o ritmo da troca de passes, gerar superioridade nas laterais e achar jogadores em espaços entre as linhas defensivas. Além disso, não é prudente entregar oportunidades de transição e falhas defensivas, como as que o Japão apresentou, a seleções mais robustas. O Brasil está longe de mostrar que está totalmente preparado para conquistar a Copa, especialmente em razão da preparação irregular antes do torneio. No entanto, a equipe consegue progredir ao longo das partidas e desenvolver soluções enquanto a competição avança.

Esse é possivelmente o principal motivo para não se ter dúvidas sobre a seleção pentacampeã e sobre Ancelotti. O Brasil pode encontrar dificuldades semelhantes contra a Noruega ou a Costa do Marfim, ambos adversários físicos que prometem pressionar bastante a equipe. Considerando a fragilidade do sistema defensivo, os noruegueses aparentam ser mais ameaçadores: Haaland dificilmente deixaria passar erros como os que ocorreram na partida contra o Japão. A Costa do Marfim, neste momento, representa um desafio mais acessível. Independentemente do adversário, a classificação veio acompanhada de uma mensagem clara: a seleção ainda possui muitas questões a resolver, mas tem um treinador capaz de alterar o curso de um jogo( Foto: Getty Images via AFP)

Por Opinião em Pauta com informações de O Globo

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