O Departamento de Estado dos Estados Unidos, liderado por Marco Rubio, divulgou na quinta-feira (28) a decisão de designar as organizações criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como entidades terroristas.
Lula se manifestou pela primeira vez sobre o assunto. Em uma fala durante um evento realizado em Sergipe, o ex-presidente destacou a importância da autonomia nacional. Ele afirmou: “Não permitiremos que nos vejam como garotos“, ou como uma “pequena república“.
Lula abordou o tema, expressando sua profunda “decepção” em relação ao comunicado feito pelos Estados Unidos.
“Hoje me sinto bastante desanimado ao ouvir que o Secretário dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificou nossos criminosos como terroristas e sugeriu que os americanos poderiam intervir“, declarou um membro do partido dos trabalhadores.
De acordo com Lula, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) representam, na realidade, um terrorismo para os habitantes de áreas periféricas, uma vez que afetam negativamente famílias, comunidades e cidades. Por essa razão, será promovido um combate a essas organizações no âmbito interno.
“Implementamos uma legislação antifraude e aprovamos uma norma para enfrentar a criminalidade organizada, e iremos agir. Eles não são os terroristas que Trump busca, que se referem a Osama Bin Laden… nós estamos focados nos terroristas brasileiros que atuam aqui“, continuou.
“As armas ilegais que entram no Brasil sãooriginárias dos Estados Unidos. A Polícia Federal apresentou um relatório ao Trump. O Brasil está comprometido em lutar contra o crime organizado e iniciará suas ações em Delaware, onde há atividade de lavagem de dinheiro envolvendo brasileiros.“.
Lula mencionou a situação do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que se encontra fora do Brasil após ser sentenciado, juntamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por conspirar contra a democracia. Ele reside nos Estados Unidos enquanto espera a aprovação de um pedido de refúgio.
“Vamos iniciar revelando o Ramagem que se encontra oculto. Começaremos com o maior contrabandista de combustíveis do país, Ricardo Magro [proprietário da Refit]. A Polícia Federal e a Receita Federal apreenderam R$ 250 milhões em combustíveis que estavam sendo contrabandeados, e ele atualmente reside em Miami. Eu forneci a Trump o nome dele e a imagem da sua residência. Se realmente deseja combater o crime organizado, é necessário trazer de volta os nossos que estão nos Estados Unidos.“.
O advogado e empresário Ricardo Magro, líder do Grupo Refit, que possui a Refinaria de Manguinhos no Rio de Janeiro, está sendo procurado pela Polícia Federal e se encontra em local incerto. Sua empresa é vista como uma das principais devedoras de tributos no Brasil.
Lula declarou: “Não vamos admitir ser tratados como garotos. Não concordamos em ser considerados uma pequena república“, ressaltou.
Pouco antes do discurso, o Palácio do Planalto emitiu uma declaração destacando as iniciativas do governo no enfrentamento ao crime organizado. Na nota, é ressaltado que é “lamentável” que “novamente membros da família Bolsonaro se desloquem para os Estados Unidos com o intuito de pleitear uma intervenção externa no Brasil”, relembrando ações passadas, como o aumento abusivo de tarifas (confira mais detalhes abaixo).
Lula mencionou também a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL), que é pré-candidato à presidência, aos Estados Unidos para se reunir com Donald Trump.
Nesta terça-feira (26), Trump e Flávio se reuniram em Washington. Após o encontro na Casa Branca, os dois tiraram uma foto juntos. Na quinta-feira, o Departamento de Estado dos EUA divulgou que as duas organizações foram consideradas grupos terroristas.
“Passei três horas com o presidente Trump e entreguei quatro documentos a ele. O senhor Marco Rubio não estava presente, provavelmente porque estava disposto a apoiar um filho de apoiador de Bolsonaro que é candidato nas eleições do país, e que não tem a mínima consideração por trair nossa nação ao solicitar intervenção americana no Brasil”, declarou.
Terroristas internacionais
Na quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou que irá categorizar as organizações brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.
A decisão definitiva é de responsabilidade do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que está diretamente subordinado ao presidente Donald Trump. Acredita-se que haja um respaldo da Casa Branca e que as nomeações reflitam um acordo entre os principais líderes do governo norte-americano.
A divulgação ocorreu no dia seguinte ao encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Marco Rubio.
Palácio do Planalto divulga nota
A fala de Lula alinhou-se com o conteúdo de um comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto pouco antes de suas palavras.
No documento, o governo afirma que “medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime“.
Além disso, “podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros“.
“Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país”, prossegue o texto.
“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, conclui. (Foto: Ricardo Stuckert)
Por Opinião em Pauta com informações da CBN



