Henrique Acker – No final de 2025, o Brasil contava com pouco mais de 31 milhões de empreendedores, em sua esmagadora maioria microempreendedores (79%), microempresas (17%) e empresas de pequeno porte (3,5%). Essa massa enorme de gente já corresponde a 29% da população ocupada no país, de acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas.
O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) inclui em sua metodologia de pesquisa – com dados do segundo trimestre de 2025 – os trabalhadores por conta própria que declararam trabalhar explorando o seu próprio empreendimento, sozinhos ou com sócio, sem ter empregado e contando, ou não, com a ajuda de trabalhador familiar auxiliar.
Entre os micro empreendedores, 68% obtiveram uma renda de até dois salários mínimos mensais no final de 2025, ou seja, a maioria teve rendimento menor que a média da renda mensal do trabalho no país, que era de R$ 3.367,00, de acordo com o IBGE (PNAD Contínua).
O rendimento mensal dos empreendedores no Brasil (2025):
. Até um salário mínimo: 34%
. Um a dois salários mínimos: 28%
. Dois a três salários mínimos: 16%
. Três a cinco salários mínimos: 11%
. Acima de cinco salários mínimos: 9%
Poucos empregos e baixa escolaridade
Como destaca o “Atlas dos pequenos negócios 2025”, 86% dos donos dessas empresas no Brasil atuam por conta própria e não têm quaisquer empregados. Outros 10% possuem de um a cinco colaboradores. E apenas 4% registram mais do que cinco funcionários.
A pesquisa do Sebrae indica que a escolaridade média dos donos de pequenos negócios no Brasil é de 10,8 anos de estudo. Os dados mostram que apenas 21,5% deles possuem ensino superior completo e 24,8% não possuem instrução ou apenas fundamental incompleto.
Ainda de acordo com o levantamento do Sebrae, com dados de abril, maio e junho de 2025, para 70,4% dos empreendedores, essa atividade é sua principal fonte de renda. Os outros 29,6% responderam que possuem uma outra forma de rendimento principal.
País dos camelôs

No segundo trimestre de 2025, por exemplo, apenas 34,4% dos donos de pequenos negócios possuíam registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Além disso, no mesmo período, 60,3% deles não contribuíam para um instituto de previdência.
Esses números consolidam o Brasil entre um dos cinco países com o maior número de trabalhadores por conta própria no mundo. O país figura também como o segundo em número de microempreendedores.
Segundo a PNAD Contínua do IBGE, no trimestre de novembro de 2025 a janeiro deste ano, havia 38,5 milhões de trabalhadores informais no Brasil. Eles representam 37,5% da força de trabalho do país.
Demissão voluntária, reforma trabalhista e precarização
Os planos de demissão voluntária (PDV), adotados desde os anos 90, com o governo Collor, colocaram na informalidade centenas de milhares de trabalhadores de empresas estatais e estaduais. Os PDV foram usados como estratégia para a redução de custos e a entrega de estatais a grupos privados.
Parte significativa dessa gente antecipou sua aposentadoria e outra parte se engajou no sonho do empreendedorismo. Muitos usaram a indenização de rescisão pelo PDV para abrir pequenos e micro negócios, acreditando em melhorar de vida trabalhando por conta própria.
Em 2017, com a aprovação da reforma trabalhista pelo Governo Temer, mais de 100 itens da Consolidação da Legislação do Trabalho (CLT) que protegiam o trabalhador caíram por terra. De lá para cá, cresceu o número de trabalhadores contratados sem carteira assinada.
Entre os pontos mais importantes, destacam-se: terceirização de trabalhadores para as atividades-fim das empresas; trabalho intermitente; férias fracionadas; demissão com direitos reduzidos; e o banco de horas.
Nas imagens, camelôs no centro do Rio de Janeiro (Fotos: Henrique Acker)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de PNAD Contínua IBGE, Atlas dos Pequenos Negócios 2025, IBRE (FGV) e Sebrae



