Lula propõe acordo de segurança a Trump para evitar novas taxas

Quando se encontrar ao meio-dia desta quinta-feira, 7, com o presdente Donald Trump, na Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá apresentar um novo projeto de colaboração na luta contra o crime organizado entre as duas nações. Essa proposta oferece uma chance significativa de entendimento. Contudo, no âmbito comercial, o progresso foi limitado, e a abordagem de Lula deve ser cautelosa, buscando evitar a implementação de novas tarifas por parte dos Estados Unidos.

A atualização da proposta referente à segurança pública representa uma resposta do Brasil. A versão inicial foi divulgada em abril e incorpora algumas das solicitações dos americanos que foram enviadas aos brasileiros em um documento de resposta em fevereiro. A proposta de colaboração nesse tema surgiu de uma conversa entre Lula e Trump em dezembro.

A administração da Casa Branca considera o enfrentamento do crime organizado uma das suas principais prioridades para as Américas. Simultaneamente, a questão da segurança pública é um tema fundamental na campanha para a presidência do Brasil em 2026.

Representantes do bolsonarismo estabelecidos nos Estados Unidos, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, estão promovendo esforços para que a administração Trump classifique as facções brasileiras PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras. O governo Lula se posiciona contra essa designação, temendo por sua soberania sobre o território nacional.

 

Sugestões que Lula irá apresentar 

A recente proposta de Lula rejeita a noção de que o CV e o PCC sejam vistos como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O documento enfatiza, mais uma vez, a importância de intensificar a cooperação na troca de informações de inteligência policial e fiscal entre as nações. A meta é combater a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro vinculada ao crime organizado, com o intuito de “desmantelar” os cartéis, conforme a terminologia utilizada pelos EUA em sua proposta alternativa.

O documento também enfatiza a luta contra o tráfico de armas e substâncias ilícitas, além do fortalecimento de estratégias de monitoramento de migrações. No entanto, o Brasil já deixou evidente a Washington que não concordará em acolher deportados de outros países, como tem ocorrido com El Salvador a pedido de Trump.

Lula buscará persuadir Trump de que a colaboração nesse formato será mais eficaz para conter as facções do que ações que são vistas como extremamente politizadas na percepção pública brasileira, como classificar essas organizações como grupos terroristas.

 

Brasil buscará prevenir novas taxas.

Durante a mesma reunião, Lula se empenhará em impedir a introdução de novas taxas, bem como a elevação das tarifas atuais de 10% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

Atualmente, no contexto comercial, a visão dos diplomatas brasileiros é de que há apenas oportunidades para ações defensivas e é muito pouco provável que se chegue a um acordo comercial entre as duas nações, mesmo que esse se concentre em áreas específicas da economia. (Foto: Reuters / Reprodução)

Por Opinião em Pauta com informações do UOL

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