Henrique Acker – Personalidades que provocam repulsa ou tensão costumam ser alvos de agressões ou atentados nos EUA. Há sempre alguém disposto a pôr em risco a própria vida, em nome de um acerto de contas com políticos, artistas e gente famosa.
Alguns analistas políticos não descartam a hipótese de Donald Trump sofrer um atentado e não terminar seu segundo mandato presidencial. A maioria associa essa possibilidade às decisões políticas de Trump, como a taxação de produtos de outros países e a guerra contra o Irã, que tiveram consequências econômicas e políticas profundas nos EUA e em todo o planeta.
Talvez por isso a confusão provocada no jantar dos correspondentes internacionais que trabalham na Casa Branca, seja vista sem o alarde que deveria, no caso de uma suposta tentativa de crime contra o atual presidente dos EUA.
O criminoso, Cole Tomas Allen, professor de 31 anos e sem antecedentes, chegou a disparar contra a segurança do local, foi capturado com vida e ileso. Em princípio, é acusado por agressão armada a um agente federal e porte de arma de fogo.
Em entrevista à TV CBS, Trump disse que não sentiu medo. No entanto, o clima da conversa mudou quando a jornalista Norah O’Donnell leu mensagens em que o criminoso afirma que os EUA são governados por um “traidor”, “estuprador” e “pedófilo”. “Nunca estuprei ninguém e não sou pedófilo”, respondeu Trump, chamando a entrevistadora de “uma vergonha”.
O próprio Trump foi alvo de atentado num comício eleitoral na Pensilvânia, em julho de 2024, atingido por um tiro que perfurou sua orelha direita. O agressor, morto no local por atiradores de elite, foi identificado pelo FBI como Thomas Matthew Crooks, de 20 anos.
Apesar da gravidade dos fatos que envolvem um possível atentado à vida de um presidente dos EUA, em princípio o FBI trabalha com a hipótese de que se trata da iniciativa de um “lobo solitário”. Ou seja, alguém que pensa e executa um crime sozinho, sem o auxílio de organizações.
O país possui larga tradição de atentados a presidentes. O primeiro foi contra Andrew Jackson (1835). Em 1975 foi a vez do republicano Gerald Ford. Seguiu-se o atentado contra o também republicano Ronald Reagan (1981).

Quatro presidentes estadunidenses foram assassinados duranteo exercício de seus mandatos: Abraham Lincoln (1865), James A. Garfield (1881), William McKinley (1901) e John F. Kennedy (1963).
No Brasil, em situação ainda pouco esclarecida, um cidadão conseguiu se aproximar de Jair Bolsonaro no Centro de Juiz de Fora (MG) e desferir golpes de faca no então candidato à Presidência, em 2018. O curioso é que o candidato estava cercado por dezenas de seguranças.
Adélio Bispo foi preso e logo os partidários de Bolsonaro iniciaram uma campanha que tentava associar o criminoso à esquerda, o que foi desmentido pela apuração da Polícia Federal.
Absolvido por insanidade mental, ele permanece internado por tempo indeterminado na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), diagnosticado com transtorno delirante persistente, o que o torna inimputável. (Fotos: Reprodução)
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações do The New York Times, BBC Londres e G1.



