A “Operação Bico Duplo”, promovida pela Polícia Federal (PF) na terça-feira (31/03), decorre de investigações em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga indícios de irregularidades e corrupção em processos licitatórios da cidade de Conceição do Araguaia (PA).
Em respaldo às apurações iniciadas pela Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União avaliou três processos de licitação. Durante essa análise, foram encontradas evidências de anomalias que poderiam comprometer a competitividade e a integridade das ações executadas.
A ação tem como objetivo intensificar as investigações relacionadas a fraudes em processos licitatórios, corrupção passiva e a manipulação da competitividade em concorrências na administração municipal, com foco na manipulação dos resultados. As medidas de bloqueio de bens do grupo sob investigação podem chegar a R$ 27,24 milhões, pretendendo inviabilizar financeiramente o grupo suspeito e recuperar recursos para os cofres públicos.
Nesta terça-feira, foram executados 12 mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça Federal nos estados do Pará e Goiás. Também foram decretadas outras medidas provisórias, incluindo a suspensão de um servidor público de suas atividades, além do bloqueio e apreensão de bens dos suspeitos, assim como a quebra de sigilos bancário e telemático. Ademais, as empresas suspeitas de participação no esquema estão impedidas de participar de licitações e de firmar contratos com a Administração Pública.
As diligências são realizadas em endereços residenciais e comerciais e em órgãos públicos municipais nas cidades de Aparecida de Goiânia (GO) e Conceição do Araguaia (PA).
Operação
A decisão, assinada pelo juiz federal Athos Alexandre Camara Attiê, mira uma suposta rede de irregularidades envolvendo pessoas físicas, empresas e órgãos públicos.
A operação concentra-se majoritariamente no município de Conceição do Araguaia (PA), mas também estende-se a Aparecida de Goiânia (GO). Entre os alvos estão:
Pessoas Físicas: Keilon Castro Coelho, Alessandra Cristina Rodrigues Coelho, Wander Menezes Duarte, Ernane Bruno Rodrigues Coelho, Lourival José Marreiro da Costa, Genilce Alves da Silva, Roberta Pires Ferreira Veiga e Weiner Lopes Martins.
Pessoas Jurídicas e Órgãos: A empresa Marreiro Consultoria Contábil Ltda, o posto Caiaque Comércio de Combustíveis e a Secretaria de Finanças de Conceição do Araguaia.
O mandado autoriza os agentes federais a apreenderem uma vasta gama de materiais, incluindo documentos e dispositivos; arquivos físicos ou digitais, celulares, computadores, HDs e pen drives; dinheiro em espécie, joias, obras de arte e veículos de luxo que não possuam origem justificada.
Compartilhamento de Provas
A decisão judicial determina que o material coletado seja compartilhado com órgãos de controle para diferentes frentes de investigação. A Controladoria-Geral da União (CGU) realizará auditorias em licitações e contratos, enquanto a Receita Federal instaurará procedimentos fiscais. Já a Advocacia-Geral da União (AGU) atuará na recuperação de eventuais danos ao patrimônio público.
A operação corre sob sigilo, e o mandado tem validade de 30 dias a partir de sua expedição. Até o momento, os nomes dos investigados figuram em um inquérito que busca apurar a extensão dos crimes cometidos contra a administração pública. (Foto: PF / Divulgação)
Por Opinião em Pauta



