O ingerir bebidas alcoólicas está relacionado a um maior risco de vários tipos de câncer, de acordo com especialistas e pesquisas globais. No entanto, a conexão entre o consumo de álcool e essa enfermidade ainda choca uma parte da sociedade quando é apresentada em vídeos ou campanhas nas mídias sociais.
Uma pesquisa conduzida por cientistas da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) indica que a ingestão de bebidas alcoólicas é um fator de risco significativo que pode ser evitado. Estima-se que o álcool contribua para aproximadamente 4% de todos os casos de câncer globalmente.
Profissionais consultados pelo g1 discutem os principais perigos, se há um limite seguro de ingestão e quais são as orientações de saúde.
Quais os tipos de câncer associados ao álcool?
O ingestão de bebidas alcoólicas está relacionada a um maior risco de vários tipos de câncer, incluindo:
- boca
- glândula de secreção salivar
- faringe
- A laringe é um órgão localizado na parte superior da traqueia, responsável por várias funções, como a produção de som, proteção das vias respiratórias e controle da passagem de ar. Ela contém as cordas vocais, que vibram quando o ar passa por elas, permitindo a vocalização. Além disso, a laringe desempenha um papel importante na deglutição, ajudando a evitar que alimentos e líquidos entrem na traqueia.
- esôfago
- intestino grosso
- Desculpe, mas não vejo um texto que você gostaria que eu reescrevesse. Poderia fornecer o texto que precisa ser reformulado?
- O fígado é um órgão vital que desempenha várias funções essenciais no organismo. Ele atua na metabolização de nutrientes, na desintoxicação do sangue e na produção de bile, essencial para a digestão. Além disso, é responsável pelo armazenamento de vitaminas e minerais e pelo controle dos níveis de glicose no sangue. Em razão de suas múltiplas atividades, manter a saúde do fígado é fundamental para o bem-estar geral.
- Mamãe
- barriga
A Organização Mundial da Saúde, por meio da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, categoriza as bebidas alcoólicas como carcinogênicas no Grupo 1, que é a classificação de maior risco. Isso indica que existem provas adequadas de que o consumo de álcool está relacionado ao desenvolvimento de câncer em seres humanos.
A ação do álcool gerando câncer
De acordo com as nutricionistas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Maria Eduarda Leão e Gabriela Vianna, quando o etanol das bebidas alcoólicas é processado pelo corpo, ele se converte em acetaldeído, uma substância que possui um elevado potencial cancerígeno. Esse componente pode causar lesões no DNA celular.
O álcool também aumenta a absorção de diversas substâncias cancerígenas no corpo, que podem vir da alimentação ou do ambiente. Um exemplo disso é a interação entre álcool e tabaco, que pode causar lesões específicas no DNA celular, tornando-se mais severas na presença do álcool. Dessa forma, a união desses dois fatores eleva consideravelmente o risco de câncer na boca, faringe e laringe.
“O consumo de álcool também eleva o estresse oxidativo nas células, contribuindo para inflamações. A inflamação persistente pode aumentar a possibilidade de danos ao DNA. Além disso, conforme o modo de consumo, o álcool pode interferir na absorção de nutrientes essenciais para o adequado funcionamento do sistema imunológico“, esclarece Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).
Como foi feita a pesquisa
A investigação foi conduzida como uma revisão científica detalhada, ou seja, os autores não realizaram um experimento novo com seres humanos, mas se dedicaram a examinar e compilar as evidências previamente publicadas por outros pesquisadores até junho de 2021.
- Exploração em bancos de dados: os estudiosos localizaram bibliotecas digitais na área da saúde para encontrar pesquisas que apresentassem dados estatísticos sobre o câncer e os mecanismos biológicos que elucidam a origem da doença.
- Escolha de evidências: concentram-se em metanálises (pesquisas que reúnem dados de diversas outras investigações para oferecer uma conclusão mais precisa) e em documentos elaborados por organizações, como o Jardim Global para Pesquisa em Câncer (WCRF).
- Aplicação da Genética (Randomização Mendeliana): para confirmar que o consumo de álcool realmente provoca câncer, e não se trata apenas de uma correlação, foram examinados estudos que utilizam variações genéticas.
Segundo as pesquisas, não há uma quantidade de álcool que possa ser classificada como completamente segura no que diz respeito à possibilidade de desenvolvimento de câncer.
Ainda que o grau de risco dependa da categoria do tumor, as evidências sugerem que até mesmo a ingestão moderada pode elevar a chance de surgimento da enfermidade.
Uma pesquisa indica que, em 2020, mais de 100 mil casos de câncer documentados estão relacionados ao consumo moderado de álcool, que corresponde a aproximadamente uma ou duas bebidas diárias.
“As pesquisas indicam que o principal responsável pelo aumento do risco de câncer é a quantidade de etanol ingerida. Há uma relação direta entre a dose e a resposta: quanto mais se consome, maior é a probabilidade de desenvolver certos tipos de câncer“, afirmam as nutricionistas do INCA.
Elas ainda apontam que o aumento do risco se manifesta mesmo em quantidades mínimas. Dessa forma, não existem níveis seguros de consumo quando se trata de câncer. Todos os tipos de bebidas alcoólicas apresentam um efeito similar sobre o risco: seja cerveja, vinho ou bebidas destiladas.
O Instituto Nacional de Câncer declara que realiza iniciativas para aumentar a sensibilização do público sobre os perigos ligados ao uso de bebidas alcoólicas.
Inclui-se nesse contexto a contribuição para o debate sobre a reforma do sistema tributário, com ênfase no imposto seletivo, que é aplicado a mercadorias vistas como nocivas à saúde.
“As evidências científicas já demonstram de forma clara que o preço exerce um papel significativo no comportamento de consumo. Assim, a imposição desse imposto é essencial para desencorajar o uso de produtos que são amplamente reconhecidos como prejudiciais à saúde. No Brasil, pesquisas revelam que duas pessoas falecem a cada hora devido a causas relacionadas ao consumo de álcool. Em relação ao câncer, é sabido que não existem níveis seguros de consumo. Por isso, não faz sentido oferecer incentivos ou vantagens à produção e venda desses produtos”, afirmam as especialistas do INCA.
Os pesquisadores do estudo afirmam que, apesar de o álcool ser considerado um carcinógeno do Grupo 1 há mais de três décadas, a percepção pública sobre essa conexão ainda é limitada. Assim, eles propõem o fortalecimento de políticas de regulação do consumo de álcool e o desenvolvimento de iniciativas preventivas para mitigar o impacto global das doenças. (Foto: Reprodução)
Por Opinião em Pauta com informações de O Globo



