NÍVEL
A reportagem do Fantástico exibida no último domingo, com denúncias contra o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, revela o nível em que será conduzida a campanha eleitoral deste ano. Além de todo o aparato e o amplo espaço que a matéria teve, produziram uma reportagem a partir de uma investigação ilegal, arquivada pelo Supremo Tribunal Federal.
EXPLICAÇÃO
A matéria foi produzida a partir de uma investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual, em ofensa ao princípio do promotor natural. Como os fatos dizem respeito à prefeitura de Ananindeua, teria que ter na força-tarefa algum promotor do município. Nenhum deles foi nomeado para fazer parte dessa operação. Ao contrário, a procuradoria geral escolheu um promotor de Belém, com fortes ligações com o governo.
ARQUIVO
A lei é clara quando o princípio do promotor natural ou do juiz natural é burlado. Principalmente quando os indícios de perseguição política são evidentes e se escolhe um promotor específico para investigar um adversário do governo. Por esse motivo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, declarou nulas todas as provas obtidas de forma ilegal e mandou o processo para o arquivo. Mesmo assim, a matéria foi feita.
ARTICULAÇÃO
Satisfeito com a repercussão nas redes sociais, onde sua defesa predominou amplamente sobre os ataques envolvendo essa matéria do Fantástico, Dr. Daniel volta suas atenções para a definição da chapa de deputados estaduais e federais e para as alianças que vai estabelecer no prazo final de filiação partidária. Nesta terça-feira, ele encontra-se em Brasília em contato com presidentes nacionais de vários partidos.
TELEVISÃO
Além da base política claramente anti-Helder, o PL tem outro ativo importante que Daniel Santos persegue: o tempo de televisão. Sabedor que a coligação da vice-governadora Hana Ghassan (MDB) terá a maioria dos partidos com bom tempo de TV, Daniel concentra suas atenções em atrair o PL. Além do partido dos bolsonaristas, o prefeito de Ananindeua também iniciou conversas com o Republicanos e outros partidos médios.

AMPLO
A direção nacional do Republicanos, por sua vez, abriu diálogo com Daniel Santos, Celso Sabino (foto acima) e com o governador Helder Barbalho. Prioriza a eleição de deputados federais, de preferência dois. E quer saber o que os protagonistas principais da política paraense têm a oferecer. Essa semana, o presidente nacional da sigla, deputado Marcos Pereira, deve bater o martelo, após conversar com as partes envolvidas.
DILEMA
O maior dilema do governador Helder Barbalho para manter os partidos em sua base é a impossibilidade de colocar todos com chapas em condições de eleger deputados federais. Vejamos. Nas eleições passadas, apenas 38 candidatos a deputado federal tiveram acima de 20 mil votos, o que já é pouco. Só o MDB teve 12 desses candidatos, portanto sobraram 26 para os demais. O PT teve 4, o PSD 4 e o PL 5 desses candidatos. O que reduz o número de candidatos com mais de 20 mil votos a 13.
DIFICULDADE
Como fazer deputados com esses 13 nomes contemplando União Brasil, PSD, PDT, Republicanos e PSDB sem mexer com o MDB e PSD? Impossível. E ainda vai entrar o PSB na disputa, que deve reunir pelo menos mais uns 3 candidatos nessa faixa, inclusive a deputada mais votada, Dra. Alessandra Haber. O que reduz essa quantidade para apenas 10 nomes. Por mais que novos nomes entrem na disputa, alguns que disputaram a passada não mais concorrerão na deste ano, o que vai manter a mesma média de candidatos acima de 20 mil votos.

SINUCA
Helder Barbalho vai lutar para que seu MDB continue com a maior bancada de deputados federais. Para isso, já articula a filiação de Adriana Almeida (foto acima), de Santarém, e do deputado Adriano Coelho, entre outros. Na sua base, conquistou o União Brasil, agora comandado pelo deputado Chicão, com a promessa de eleger 2 deputados federais pelo partido. O PSD, comandado por Júnior Ferrari, projeta lançar nomes como o do ex-prefeito de Marabá, Tião Miranda, e o deputado Ivanaldo Braz, além de manter o do próprio Ferrari e do deputado Raimundo Santos. Quer manter pelo menos seus dois. Como ficam os outros?
CALCULADORA
Vamos supor que o PL mantenha seus 3 deputados federais e o PT seus dois. Que o PSB, de Daniel Santos e Alessandra Haber eleja pelo menos 2 (e trabalha com a expectativa de 3), somando-se aos 2 do PSD e 2 do União Brasil, já são 11 vagas preenchidas. Sobrariam 6 vagas para serem disputadas por MDB, Republicanos, PDT e PSDB. Sem falar que o PSol sonha com uma vaga, em virtude da mudança da regra, que facilita a eleição de quem tem boa sobra, mesmo que não atinja o coeficiente. Alguém vai ficar de fora da festa. Tanto dentro do MDB, como nos demais partidos.
FORA
O quadro se torna ainda mais complexo, porque vários candidatos da última eleição não mais disputarão a deste ano para a Câmara Federal. Entre eles Elcione Barbalho (175.498 votos), Celso Sabino (142.326), Hélio Leite (97.767), Wagne Machado (73.798), Márcio Miranda (62.499), Eduardo Costa (58.420), Miro Sanova (57.928), Ana Júlia (48.662), Aurélio Goiano (42.726), Carmen do PT (36.056), Giovani Queiroz (38.478), Júlia Marinho (34.489) e Ursula Vidal (29.655). Outros com potencial, como a prefeita de Marituba, Patrícia Alencar, e o ex-prefeito de Conceição do Araguaia, Jair Martins, já dão sinais que não serão candidatos. Por mais que alguns sejam substituídos, é difícil repor todos.
CONCLUSÃO
Ou seja, se o governador prometer uma chapa competitiva ao Republicanos, para impedir que o partido vá para as mãos de Daniel Santos ou Celso Sabino, PDT e PSDB estarão completamente impossibilitados de formar chapa em condições de disputa e o MDB terá que sangrar um pouco mais. É uma conta que também atrapalha a montagem das chapas do PSD e do União Brasil.

MOVIMENTAÇÃO
Deputado Chicão se movimentando pra montar a chapa de federais do União Brasil. Já convidou os deputados federais Keniston Braga (MDB) – foto acima – e Henderson Pinto (MDB), o presidente da Prodepa, Carlos Maneschy e Lena Pinto. Não tem jeito, pra formar uma chapa competitiva, Chicão terá que avançar em direção às principais lideranças do MDB e esvaziar de vez PSDB e PDT. E assim poder honrar com a palavras que deu às cúpulas do PP e União Brasil, que formam uma Federação, que elegerá um deputado em cada partido.
EXERCÍCIO
Com a desistência da ex-governadora Ana Júlia Carepa e de Carmen do PT na disputa pela Câmara Federal, além da decisão da tendência Unidade na Luta, do ex-senador Paulo Rocha, de também não disputar uma cadeira, o senador Beto Faro se vira nos trinta para fortalecer a chapa do PT. Além de lançar o seu filho, Yuri Faro, e a esposa Dilvanda, o partido conta ainda com o deputado Airton Faleiro e o superintendente do Ministério do Trabalho, Paulo Gaia. Mas acha pouco e abriu conversas com Lena Pinto (PSDB) e o advogado Jarbas Vasconcelos. Conta ainda com a candidatura do vereador de Belém, Rodrigo Moraes (PCdoB) e do vereador de Ananindeua, Neto Dippolito (PV), dentro da Federação que participa.

ANIVERSÁRIO
No próximo sábado, dia 14, o PT comemora seus 46 anos de fundação com uma grande festa, em Marabá. O aniversário acontecerá na casa de eventos Império, às 19h, e contará com a presença dos deputados federais Dilvanda Faro e Airton Faleiro, estaduais Maria do Carmo, Elias Santiago e Carlos Bordalo e prefeitos do partido, além, é claro, do senador Beto Faro. A intenção é também demonstrar unidade partidária em torno da indicação do deputado Dirceu ten Caten (foto acima) para ocupar a vaga de vice na chapa de Hana Ghassan.
CONTRAPARTIDA
Diante das especulações que o governador não deseja a presença de um nome do PT na chapa majoritária, o partido aguarda uma conversa que o presidente Lula e Helder Barbalho deverão ter para tratar da sucessão ainda este mês. Os petistas paraenses apostam que Lula vai lembrar ao governador o apoio dado para a realização da COP em Belém e a presença do irmão ministro na Esplanada dos Ministérios, para reivindicar a contrapartida na composição da chapa majoritária no Estado.
PLANO B
Conscientes das dificuldades, o PT já se prepara para o Plano B. Em reunião pública, o senador Beto Faro teria afirmado que, se o partido não for contemplado na chapa majoritária, ele estaria disposto a lançar seu nome para disputar o Governo do Estado. Nessa hipótese, o deputado Dirceu estaria também animado a lançar seu nome ao Senado, o que, de certa forma, atrapalharia os planos de fortalecimento das candidaturas de Hana Ghassan ao governo e do deputado Chicão ao Senado. Tem muita água pra rolar debaixo da ponte…
EXONERAÇÃO
O ex-deputado Raimundo Belo foi exonerado do cargo que ocupava no governo Helder Barbalho. A decisão teria sido motivada pelo fato de Belo ter decidido que vai apoiar a candidatura de Daniel Santos ao governo do Estado. Inclusive se dispondo a ser candidato a deputado estadual na chapa que está sendo montada pelo prefeito de Ananindeua. Mais um que abandona o barco.
FRASE
Ditado popular: “É hora de ver quem tem água no bule”.



