Lula 3: reservas internacionais crescem US$ 30 bilhões após queda no governo Bolsonaro

O saldo acumulado volta a superar US$ 355 bi após recomposição no governo Lula e contrasta com perdas da gestão Bolsonaro, que somaram US$ 65,8 bilhões ao longo de quatro anos.

 

Nos primeiros mil dias da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se completaram em 25 de setembro, as reservas internacionais do Brasil cresceram em US$ 30,4 bilhões, conforme informações publicadas pelo Banco Central. Na última quinta-feira (25), o total alcançou US$ 355,1 bilhões, o que indica um aumento de 9,38% em comparação ao término do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Durante a administração anterior, o cenário foi inverso: as reservas diminuíram de US$ 390,5 bilhões em janeiro de 2019, quando Bolsonaro tomou posse, para US$ 324,7 bilhões ao final de 2022, resultando em uma queda de US$ 65,8 bilhões ao longo de quatro anos.

Apesar do progresso, o terceiro mandato de Lula enfrentou desafios relacionados às finanças internacionais. Somente no último ano, a administração teve que recorrer a uma fração das reservas, resultando em uma diminuição de US$ 45,5 bilhões no total em relação a setembro de 2024.

O aumento das reservas internacionais é visto como um sinal de maior estabilidade financeira do país frente a choques externos e tensões no mercado cambial, que são parcialmente causadas por manobras políticas dos Estados Unidos em relação ao seu aliado, Bolsonaro. Este último estava sendo processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, posteriormente, recebeu uma sentença de mais de 27 anos de reclusão.

A expectativa é que a gestão do governo Lula 3 contribua para a recuperação da estabilidade financeira global, após anos de declínio contínuouma percepção corroborada pelos dados do Banco Central.

Queda no período Bolsonaro

No período da administração Bolsonaro, as reservas internacionais diminuíram de aproximadamente US$ 390 bilhões no começo de 2019 para US$ 324,7 bilhões ao término de 2022. Essa queda de mais de US$ 65 bilhões aconteceu em meio a constantes ações do Banco Central no mercado de câmbio, principalmente com o objetivo de estabilizar a moeda em momentos de instabilidade, como durante a pandemia de Covid-19 e em fases de intensa retirada de investimentos estrangeiros.

No início do terceiro mandato de Lula, que começou em janeiro de 2023, observou-se uma recuperação da segurança financeira nacional. Até setembro deste ano, as reservas ultrapassaram os US$ 355 bilhões, resultando em um aumento superior a US$ 30 bilhões em comparação ao término da administração anterior.

Uso das reservas internacionais

As reservas internacionais atuam como uma forma de “economia” em moedas estrangeiras, especialmente em dólares, euros e outros ativos que possuem alta liquidez. Nos últimos tempos, também estão sendo adquiridos yuans, a moeda da China. O Banco Central (BC) é o responsável por gerenciar esse fundo financeiro.

A reserva fornece segurança durante períodos de crise: caso ocorra retirada de investimentos ou forte pressão sobre a moeda, o Banco Central pode liberar uma parte das reservas para estabilizar o valor do real e promover a confiança no mercado. Ademais, esse montante auxilia a nação a honrar suas obrigações internacionais e a evitar recorrer a novos financiamentos.

No Brasil, as reservas internacionais costumam ser acionadas em períodos de crise, como foi o caso da crise de 2008, durante recessões e para mitigar a volatilidade da moeda. Portanto, um volume maior de reservas proporciona uma maior sensação de segurança para os investidores, além de oferecer ao país mais proteção e autonomia em face de condições desfavoráveis no cenário internacional. (Foto: Ricardo Stuckert)

Por Opinião em Pauta com informações de O Globo

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