Trump mira no BRICS e anuncia punição ao Brasil

(*) Por Henrique Acker    –  Em carta publicada na rede social X nesta quarta-feira, 9 de julho, ao presidente brasileiro, Donald Trump esgrime uma série de argumentos políticos para justificar a decisão de taxar em 50% os produtos exportados pelo Brasil para os EUA, a partir de 1 de agosto.

Trump cita as boas relações que manteve com o ex-presidente Bolsonaro, decisões do STF que, segundo ele, representam censura a empresas estadunidenses com atuação na internet e supostas medidas que ameaçariam a liberdade no Brasil.

 

Lula reafirma soberania

Não há no texto nenhum dado econômico concreto que justifique o tarifaço. Ao final da carta, que não foi entregue formalmente ao governo brasileiro, Trump ameaça impor mais 50% de taxas, caso o Brasil reaja com qualquer retaliação à importação de produtos dos EUA.

O governo brasileiro deve se pronunciar oficialmente nas próximas horas sobre a decisão de Trump. O ministério de Lula foi convocado para uma reunião de emergência com o presidente para avaliar o impacto das novas tarifas e que medidas pretende adotadas.

Apesar do governo não ter emitido nenhuma nota oficial, Lula fez publicação na rede X, afirmando que o Brasil é um país soberano, que não aceitará ser tutelado por ninguém. O presidente alertou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade econômica.”

 

Comércio favorável aos EUA

O certo é que as relações comerciais com o Brasil sempre foram favoráveis aos EUA nos últimos anos. Ainda assim, produtos como aço e alumínio já enfrentam uma taxa de 50% naquele país, o que impacta diretamente o setor siderúrgico brasileiro.

Os EUA são o principal investidor no Brasil, sobretudo em tecnologia e economia verde, segundo um estudo realizado pela Câmara Americana para o Comércio com o Brasil (Amcham), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

A balança comercial entre os dois países em 2024 foi equilibrada, com o Brasil exportando 40,3 bilhões de dólares e importando 40,5 bilhões de dólares dos EUA. Também no ano passado houve um crescimento do comércio bilateral. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

O Brasil exportou para os Estados Unidos em 2024 petróleo bruto (14% do total), produtos semiacabados de ferro e aço (8,8%), aeronaves (6,7%) e café não torrado (4,7%). Já os americanos exportaram para o Brasil motores e máquinas (15%), óleos combustíveis de petróleo (9,7%), aeronaves e suas partes (4,9%) e gás natural (4,1%).

 

Medida política

Ao que tudo indica, a decisão do presidente estadunidense tem muito mais uma motivação política contra a postura de independência adotada pelo BRICS, bloco ao qual o Brasil pertence, em parceria com outros 10 países, entre eles a China, Rússia, Índia e África do Sul.

O BRICS reuniu-se em 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro e anunciou uma série de resoluções que Donald Trump acusou de “antiamericanas”. Outros países, entre eles o Japão e a Coréia do Sul, também sofreram a taxação de seus produtos por parte de Trump nos últimos dias, mas nenhum deles no percentual de 50%.

Representantes do bolsonarismo, entre eles Eduardo Bolsonaro e o governador de S. Paulo Tarcísio de Freitas, saíram em defesa de Trump e tentaram responsabilizar o governo brasileiro.

“A brincadeira de Lula nos BRICS vai sair caro para todos os brasileiros”, afirmou nas redes sociais o filho do ex-presidente. “A responsabilidade é de quem governa. Narrativas não resolverão o problema”, afirmou o governador de São Paulo.

Já a ministra das relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, acusou os “cúmplices de Bolsonaro que aplaudem o tarifaço de Trump contra o Brasil.” (Foto Reprodução)

 

 

(*) Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

Relacionados

plugins premium WordPress