Netanyahu visita Hungria e foge da pressão em Israel

Por Henrique Acker  –  Desde a quinta-feira, 3 de abril, Benjamin Netanyahu cumpre agenda na Hungria, em visita que deve durar até o próximo domingo. A viagem tem duplo objetivo: fugir da pressão popular dos últimos dias em Israel e desmoralizar o Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, que o condenou como criminoso pelas atrocidades cometidas em Gaza.

O governo de extrema-direita da Hungria é conhecido por suas boas relações com Vladimir Putin e pela proximidade de ideias com Donald Trump. De certa forma, a visita ao país da Europa sinaliza uma proximidade do governo de Netanyahu com o do primeiro-ministro de extrema-direita húngaro, Viktor Orbán.

 

Protestos em Israel

Nas ruas das grandes cidades israelenses, parentes e amigos dos reféns do Hamas não dão tréguas ao governo de Netanyahu, realizando protestos diários de rua. Eles exigem a volta ao cessar-fogo em Gaza e a retomada das negociações pela libertação dos 57 reféns ainda de posse do Hamas.

Ao mesmo tempo, avançam as investigações sobre o chamado Qatargate, que atinge assessores diretos do primeiro-ministro, acusados de receber dinheiro para fazer lobbie favorável ao Qatar. O tribunal israelense responsável pelo caso ordenou que Yonatan Urich e Eli Feldstein sejam colocados em prisão domiciliar por duas semanas.

Segundo dados do MInistério da Saúde de Gaza, só de 18 a 31 de março, o exército de Israel matou 1001 palestinos em Gaza, desde o final do cessar-fogo. Ao todo, 50.523 palestinos perderam suas vidas desde o início do massacre, em 7 de outubro de 2023.

 

Hungria fora do TPI

Netanyahu e o ex-ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, foram condenados pelo TPI e responsabilizados por atos que incluem assassinato, perseguição e uso da fome como arma de guerra. Pela decisão, Netanyahu pode ser detido em qualquer ponto do planeta.

Em resposta ao mandado de captura emitido pelo TPI, Viktor Orbán convidou Netanyahu para uma visita de Estado e acusou o Tribunal de “interferir num conflito em curso para fins políticos”, afirmando que a medida prejudica o direito internacional e aumenta as tensões.

O primeiro-ministro húngaro aproveitou a chegada de Netanyahu ao país para anunciar a retirada da Hungria do Tribunal Penal Internacional. Assim, o país passa a desconhecer a legitimidade e a não cumprir as decisões do TPI. (Foto: Reprodução)

 

Por Henrique Acker (correspondente internacional)

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