Afinal, Flávio Bolsonaro já trabalhou ou não?

Henrique Acker –  O presidente Lula, candidato à reeleição, foi engraxate, office-boy, auxiliar de tinturaria, torneiro mecânico formado pelo SENAI e trabalhou em indústrias metalúrgicas como a Indústrias Villares e a Fábrica de Parafusos Marte.

No debate presidencial promovido pelo Grupo Bandeirantes em 18 de outubro, Lula (PT) afirmou que Flávio Bolsonaro nunca trabalhou. Será verdade? Nossa reportagem foi conferir as atividades laborais do senador e candidato a presidente pelo PL.

 

. Estudante no Rio e funcionário em Brasília – Flávio teve seu primeiro trabalho entre 2000 e 2002 na Câmara dos Deputados, em Brasília. Era comissionado por 40 horas de trabalho semanal na liderança do antigo PPB, quando recebia R$ 13,5 (valor corrigido para 2026).

Curiosamente, ao mesmo tempo Flávio frequentava aulas presenciais no Rio, na faculdade Cândido Mendes, e ainda fazia estágio voluntário duas vezes por semana. Formado em Direito, não consta que Flávio Bolsonaro exerça a profissão, embora mantenha um escritório de advocacia em Brasília.

 

. Homenagens a matadores na Alerj – Em 2002, Flávio elegeu-se deputado estadual no Rio. Seu mandato foi marcado por medalhas e homenagens a policiais e milicianos (alguns deles condenados), acusados de crimes de extorsão, corrupção, sequestros, homicídios, entre outros.

Em seu gabinete, Flávio empregou a mãe e a mulher do matador Adriano da Nóbrega, da milícia conhecida como “Escritório do crime”. O chefe de seu gabinete era Fabrício Queiroz, ex-militar e ex-policial, também acusado de miliciano.

 

. Rachadinha de chocolate – É dessa época a prática de empregar funcionários fantasmas no gabinete e ficar com parte dos salários, esquema conhecido como “rachadinha”.

Segundo as investigações, o dinheiro era lavado numa loja de chocolates em que Flávio era sócio, na Barra da Tijuca, com pagamentos registrados em espécie e em quantias de valor sempre igual.

De acordo com o MP do Rio, nos dois primeiros meses após a aquisição da loja (2015), Flávio Bolsonaro realizou uma retirada de lucros no valor de R$ 180 mil. As investigações revelaram que o seu sócio não realizou nenhuma retirada de dinheiro.

Flávio também realizava transferências e saques da conta da loja para sua conta pessoal exatamente nos dias em que a loja recebia depósitos fracionados em dinheiro vivo, com valores redondos e idênticos.

 

. Baixa produtividade no Senado – Reeleito três vezes a deputado estadual, sempre em dobradinha com o pai (Jair Bolsonaro), Flávio se elegeu a senador em 2018 na ascensão da extrema-direita.

Nos oito anos de mandato, o senador assinou 60 emendas e projetos, sem ter sido o autor de nenhum deles. A média é de uma iniciativa a cada dois meses, que pode ser considerada baixa para oito anos de mandato.

Em sua maioria são propostas sobre endurecimento penal, aumento de penas, porte de armas e segurança pública.

 

. Caos em hospitais do Rio – Durante o governo de seu pai, Flávio foi responsável por indicar dirigentes para a gestão dos seis hospitais federais no Rio.

Relatos de funcionários e médicos corroboram as denúncias sobre contratações fraudulentas, contratos superfaturados, subutilização das instalações e terceirizações.

Um relatório do Ministério Público constatou que 72% dos recursos das seis unidades eram consumidos em contratos administrativos, como limpeza, vigilância e rouparia.

Um dos favorecidos foi o pai do deputado federal Altineu Côrtes (PL), dono da Max Clean, que multiplicou por oito seu faturamento durante o governo Bolsonaro.

 

. Candidato à Presidência – Com a prisão de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de estado em janeiro de 2023, Flávio foi lançado candidato à Presidência pelo PL em 2026.

O que poderia servir para projetar sua carreira, acabou por chamar a atenção para uma série de relações políticas e econômicas no mínimo questionáveis. É o que vamos abordar na próxima matéria. (Foto: Publicada pela BBC)

 

Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de UOL Notícias, O Globo, BBC News Brasil, Memórias da Ditadura, Agência Pública, Focus Brasil.

 

Links para acesso:

https://noticias.uol.com.br/colunas/juliana-dal-piva/2022/09/23/cla-bolsonaro-condecorou-16-pms-denunciados-em-organizacoes-criminosas.htm

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/08/20/loja-de-chocolates-de-flavio-bolsonaro-recebeu-1512-depositos-em-dinheiro-entre-2015-e-2018.ghtml

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46828487

https://memoriasdaditadura.org.br/personagens/luiz-inacio-lula-da-silva/

https://apublica.org/2026/10/flavio-bolsonaro-os-hospitais-federais-e-a-pandemia-de-covid-no-rio-de-janeiro/

https://fpabramo.org.br/saiba-qual-projeto-flavio-bolsonaro-fez-em-oito-anos-de-mandato-como-senador/

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