Uma única imagem, registrada durante um momento cotidiano em casa, tornou-se o emblema mais trágico do conflito que aflige o Irã. Na foto, o jovem Mikaeil Mirdoraghi, usando óculos e com sua lancheira em mãos, despede-se da mãe enquanto se dirige para a escola. Poucos minutos depois, a criança seria uma das fatalidades de um ataque aéreo que devastou uma escola em Minab, no sul do país.
No dia 28 de fevereiro, que marcou o início da ofensiva militar dos EUA e de Israel contra o Irã, a escola Shajareh Tayyebeh foi reduzida a ruínas. Relatos da mídia local e de organizações internacionais indicam que os bombardeios resultaram na morte de 175 pessoas, sendo a grande maioria crianças que se encontravam na escola no momento do ataque.
O jovem Mikaeil Mirdoraghi, momentos antes de perder a vida em um ataque com bombas no Irã – Imagem: Arquivo familiar/Reprodução
Em um depoimento tocante publicado nesta terça-feira (10) no jornal Hamshahri, a mãe de Mikaeil recordou os momentos finais com seu filho. Ela narra que, na véspera do ataque, o menino estava tranquilo. “Mãe, o prato que você preparou tem sabor de paraíso”, comentou ele durante a refeição.
Antes de se deitar, Mikaeil e seu irmão participaram de uma brincadeira que parecia prever o futuro. A mãe comentou que, à meia-noite, o garoto arrumou travesseiros ao seu redor e sugeriu um jogo:
“Chegue mais, eu sou o Irã, amigo; você representa os Estados Unidos”, afirmou o jovem.
Enquanto se divertia, ele comemorou o triunfo de sua nação fictícia: “O Irã saiu vitorioso. Eu era o Irã e consegui vencer”. Na manhã seguinte, antes de deixar casa, sentiu a necessidade de pedir à mãe para registrar sua imagem. Essa foto, que agora está se espalhando pelo mundo, provoca uma forte reação de indignação em nível internacional.

Repercussão e crimes de guerra
Os veículos de comunicação do governo iraniano adicionaram o nome de Mikaeil em seus registros de “mártires“, expressão que o país usa para se referir às vítimas, tanto civis quanto militares, dos ataques aéreos estrangeiros. As autoridades de Teerã caracterizam o incidente em Minab como um crime de guerra, destacando que o alvo era uma instituição de ensino primário.
Embora o governo dos Estados Unidos tenha a princípio se esquivado de uma responsabilidade direta, investigações iniciais do Pentágono e avaliações de especialistas independentes sugerem que o local foi alvo de mísseis guiados, possivelmente em razão do uso de coordenadas desatualizadas que designavam a área como uma instalação militar inativa.
A imagem de Mikaeil, eternizada em seu gesto de despedida, incendiou uma onda de protestos em várias capitais ao redor do mundo, onde os manifestantes clamam por um cessar-fogo imediato e pela salvaguarda de civis em áreas de conflito.
Na imagem destacada, eEscola primária de Minab, no Irã, minutos após ser explodida por bombardeiro dos EUA e de Israel, matando 175 crianças. (Foto: Frame de vídeo das redes sociais)
Por Opinião em Pauta com informações da AFP


