Por Henrique Acker – Um acordo que ponha fim à guerra da Ucrânia não está condicionado apenas à faixa de território que a Rússia já conquistou e continuará ocupando depois da paz. É o que ficou evidente na reunião de 18 de agosto, entre líderes da União Europeia, Zelensky e Donald Trump.
O impasse está nas chamadas “garantias de segurança”, exigidas por Volodymyr Zelensky e a União Europeia, para uma paz duradoura e assegurar que o país não será mais atacado por Moscou. Apesar de ter concordado com a questão na reunião com Donald Trump, no Alasca, Vladimir Putin já deixou claro que não aceita a presença de tropas da OTAN na Ucrânia.
Sob pressão das potências europeias, Trump declarou que os EUA estariam prontos a participar dessa garantia. A UE quer que os EUA sejam fiadores do acordo com Vladimir Putin, sem o que os europeus e Zelensky não veem condições de firmar a paz.
EUA seriam coordenadores
Em uma publicação nas redes sociais na segunda-feira (18/8) à noite, Trump disse que as negociações na Casa Branca incluíam planos para que países europeus fornecessem garantias de segurança à Ucrânia, com os EUA atuando como “coordenadores”.
O Reino Unido e vários aliados europeus sugeriram o envio de uma “força de segurança” operando diretamente na Ucrânia, como forma de impedir novas agressões russas. No entanto, Trump tem resistido a enviar tropas americanas. Em sua entrevista à Fox, ele afirmou que os EUA estavam dispostos a ajudar nas operações aéreas.
De acordo com o The Wall Street Journal, citando fontes europeias, a força-tarefa para desenvolver garantias de segurança para a Ucrânia deve incluir quatro componentes: presença militar, defesa aérea, armamento e controle sobre a cessação das hostilidades.
Zelensky descreveu as garantias de segurança como “uma questão fundamental, um ponto de partida para o fim da guerra”. O presidente ucraniano disse que essas garantias seriam “formalizadas de alguma maneira na próxima semana ou em dez dias”.
O custo dessas garantias seria de US$90 bilhões em armas a serem adquiridas junto aos fabricantes estadunidenses, além de US$50 bilhões em investimentos dos EUA no programa de drones militares na Ucrânia, de acordo com o jornal Financial Times.
Putin quer OTAN fora da Ucrânia
No encontro do Alasca, Vladimir Putin teria aceito a necessidade de oferecer garantias de segurança à Ucrânia por parte da Rússia e dos EUA. Mas para Moscou isso não incluiu o envio de tropas da OTAN ao país vizinho.
“Reafirmamos nossa posição repetidamente declarada sobre a rejeição categórica de qualquer cenário que envolva o aparecimento de contingentes militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Ucrânia, o que ameaça uma escalada incontrolável do conflito com consequências imprevisíveis”, afirmou em comunicado desta segunda-feira (18/8) o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
É pouco provável que ocorra um cessar-fogo prolongado durante as negociações, como queria a União Europeia. Putin rejeita a ideia, ainda mais porque as tropas russas continuam em ofensiva em território ucraniano, ainda que em ritmo lento. Trump também não vê possibilidade de uma trégua e já declarou que seu objetivo é pôr fim à guerra. (Foto: Reprodução)
Henrique Acker (jornalista e colunista) com informações da newsletter do Meio, The Guardian, The Wall Street Journal, Financial Times, Agência de Notícias Ria Novosti (Rússia) e portal de notícias Metrópoles.



