BRICS reúne-se no Rio com novos membros e parceiros

BRICS reúne-se no Rio com novos membros e parceiros

 

(*) Por Henrique Acker    –  A Cúpula do BRICS, programada para 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, sob a presidência do Brasil, vai abordar temas como cooperação em saúde global, comércio, investimento e finanças, mudança do clima, governança da inteligência artificial e a reforma da arquitetura multilateral de paz e segurança.

Será o primeiro grande encontro do grupo a contar com a participação efetiva dos seis novos membros, incorporados em 2024 no encontro de Kazan, na Rússia: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Reunidos, esses 11 países representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta.

Além deles, participam também da Cúpula do Rio os países parceiros, num total de dez: Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã, que se incorporou ao grupo recentemente.

 

Preparação longa

Mais de 200 reuniões preparatórias foram realizadas entre fevereiro e julho deste ano, muitas delas por videoconferência. O resultado foi a obtenção de consensos importantes, como tornar o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês) o principal agente de financiamento da industrialização do chamado Sul Global.

Houve também duas reuniões entre os negociadores políticos de cada país membro, visando alinhar compromissos a serem aprovados no encontro dos chefes de Estado.

A primeira, em fevereiro, teve a aprovação unânime dos temas centrais propostos pelo Brasil, com destaque para a revisão da Parceria Estratégica na Área Econômica, a partir de um plano de cinco anos que passa por renovação sob a liderança brasileira.

O destaque da segunda reunião, em abril, foi a participação inédita da sociedade civil, com uma mudança significativa na forma de incorporar as demandas sociais no processo decisório do BRICS.

Uma terceira reunião está ocorrendo desde 30 de junho, no Rio, com o objetivo de construir os pilares do documento final da Cúpula dos chefes de Estado, a ser anunciado em 7 de julho.

 

De olho na COP 30

Os resultados da Cúpula do BRICS, no Rio, podem ter consequências diretas para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em novembro deste ano, em Belém do Pará. Temas como o combate à desertificação, o cuidado com os oceanos e o enfrentamento da poluição de plásticos ganharão relevância.

Os estudiosos da questão climática ressaltam que será uma grande vitória se a Cúpula do BRICS apontar compromissos concretos de financiamentos comprometidos com uma transição energética justa e sustentável para o Planeta. Principalmente depois que os EUA abandonaram o Acordo de Paris, de 2015, que estabeleceu a chamada convenção do clima.

O Acordo de Paris prevê que as nações mais ricas devem prover recursos financeiros para auxiliar aquelas em desenvolvimento em relação à mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Uma das maiores preocupações das Nações Unidas é, justamente, como mobilizar, globalmente, o montante de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático.

 

Programação

Ministros das Finanças dos países membros do BRICS e do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), presidido pela brasileira Dilma Rousseff, estarão reunidos na sexta-feira, 4 de julho. No sábado, 5 de julho, três eventos ocorrem de forma simultânea: o Encontro de Negócios WBA/BRICS, o Fórum Empresarial do BRICS e a continuidade das reuniões sobre o NDB.

A agenda culmina nos dias 6 e 7 de julho, domingo e segunda-feira, com a realização da Cúpula de Líderes do BRICS, que se encontrarão no Museu de Arte Moderna (MAM) para divulgar uma declaração final com as resoluções da Cúpula do Rio.

Há expectativa de que os chefes de Estado dos países membros e parceiros do BRICS aprovem um posicionamento unificado sobre a guerra tarifária promovida pelo governo Trump, com consequências para a economia global. (Foto: Reprodução)

(*) Por Henrique Acker (jornalista e colunista)

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